Congresso tem que devolver MP que interfere na autonomia das federais, diz Alice

    Texto publicado pelo presidente Jair Bolsonaro no início da semana impõe novas regras para escolha de reitores de universidades

    Foto: João Victor Medeiros/bahia.ba

    A deputada federal Alice Portugal (PCdoB) defendeu nesta sexta-feira (27) que o Congresso devolva a medida provisória (MP) que altera o formato de escolha de reitores de instituições federais de ensino. A MP foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) de terça-feira (24).

    “Uma forma autocrática, indesejável, que não tem qualquer relevância ou urgência para se caracterizar em forma de medida provisória. A comunidade universitária há muito resolveu os problemas de sua democracia e tem autonomia legal e constitucional para isso”, reagiu Alice em um vídeo publicado em suas redes sociais.

    A medida provisória tem força de lei, mas precisa ser aprovada pelo Congresso no prazo de até 120 dias. Caso não seja apreciada pelos parlamentares, perde a validade.

    Para a parlamentar baiana, caso seja levada adiante, resultará em “mais um processo de convulsão interna na educação superior brasileira, já tão abalada pelos desatinos do atual ministro [Abraham Weintraub]”.

    “É uma interferência indevida a autonomia dessas instituições. Por isso somos contra a MP e queremos devolvê-la”, afirma Alice.

    Dentre outros pontos, a MP também estabelece que, para a nomeação de reitores em universidades federais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) poderá não acatar o nome vencedor da lista tríplice de candidatos apresentada pela instituição.

    Presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) e reitor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), João Carlos Salles se disse surpreso com a medida.