Aécio Neves desiste de disputar Presidência e PSDB deve ficar neutro

    O parlamentar também indicou que a legenda não deve apoiar nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

    Cleia Viana/Câmara dos Deputados

    O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), anunciou que não será candidato à Presidência da República nas eleições deste ano. A decisão representa uma mudança de rumo do partido, que havia aprovado, no mês passado, sua pré-candidatura durante reunião da Federação PSDB-Cidadania.

    Na ocasião, o presidente nacional do Cidadania e vice-presidente da federação, Alex Manente (Cidadania-SP), defendeu o nome de Aécio como alternativa de terceira via para romper a polarização política e recolocar no centro do debate os principais desafios do país.

    Em entrevista ao Estadão, Aécio afirmou que, após discussões internas, o partido concluiu que o momento exige foco na construção de um projeto político para o futuro, em vez de lançar uma candidatura própria.

    “Depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição. Isso foi cogitado há pouco tempo. Eu próprio, você se lembra, sugeri o nome do governador Ciro Gomes como a nossa alternativa. Logo depois ele próprio, lideranças como Tasso Jereissati, Roberto Freire, dentre outras, sugeriram meu nome como esse candidato. Mas nós chegamos à conclusão de que nós temos que ter os pés no chão e sim iniciar a construção de um projeto vigoroso para 2030”, disse Aécio ao Estadão.

    O parlamentar também indicou que a legenda não deve apoiar nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e sinalizou que a tendência é a federação adotar uma posição de neutralidade no pleito.

    “ Nós vamos ter uma reunião da federação PSDB-Cidadania em breve, talvez nessas próximas duas semanas. O caminho natural hoje, depois de discutirmos até as possibilidades de uma candidatura, é o apoio a uma candidatura no centro. Mas o que nós percebemos é que, a três meses das eleições, ficou muito difícil furar essa bolha. Então, vamos dar um passo atrás para dar vários na frente e construir um projeto de Brasil a partir de agora já destas eleições”, afirmou.

    Aécio também avaliou que a disputa presidencial deste ano tende a ser “a mais fratricida da história recente do Brasil”, em razão, segundo ele, das tentativas de ideologização do debate político.