Tabeliães contestam eleição do Colégio Notarial da Bahia após falta de prestação de contas

    Na ata a qual o bahia.ba teve acesso, não há qualquer registro de que os números tenham sido apresentados na ocasião; entenda

    Foto: Ilustração

    Uma denúncia, encaminhada ao bahia.ba sob condição de anonimato, aponta graves indícios de irregularidades administrativas no Colégio Notarial do Brasil – Seção Bahia (CNB-BA). O epicentro da crise é a Assembleia Geral realizada no último dia 10 de fevereiro, onde, segundo documentos e relatos, teria ocorrido uma “manobra” para evitar a transparência financeira da entidade.

    Conforme apurado pela reportagem, o edital de convocação publicado em 25 de janeiro de 2026 era taxativo: a ordem do dia para o encontro de fevereiro incluía, como item primordial, a apreciação das contas da entidade.

    A prestação de contas é uma obrigação estatutária rígida (Artigo 11 do Estatuto do CNB-BA), devendo ocorrer anualmente para a votação do balanço de receitas e despesas.

    No entanto, a ata oficial da assembleia a qual o bahia.ba teve acesso, que é o documento de fé pública que registra o que de fato aconteceu, limita-se a descrever apenas o processo eleitoral. Não há qualquer registro de que os números tenham sido apresentados, debatidos ou votados.

    Conflito de versões

    O ponto mais crítico da denúncia reside em uma possível tentativa de ocultação desse vício processual. Fontes ouvidas pela reportagem relatam que, simultaneamente à omissão na assembleia, o site oficial do CNB/BA publicou uma notícia afirmando que as contas haviam sido apresentadas, o que, ainda de acordo com as informações repassadas à reportagem, nunca aconteceu na data informada.

    Na ocasião, a chapa “Uma só Bahia, um só Notariado”, encabeçada pela tabeliã Carolina Catizane de Oliveira Almeida, foi eleita para a presidência do CNB/BA.

    No âmbito dos órgãos de controle e integridade, foram eleitos para o Conselho Fiscal: Marcilaine Faustina de Oliveira, Tiago Oliveira Silva e Cássio de Carvalho Lobão.

    Já o Conselho de Ética contou com os nomes de Naiana Luiza Lourenço de Souza e Lira, Vívian Boechat Cabral Carvalho, Alessandra Acácio de Oliveira Gomes, Lívia Lippi Silva de Almeida e Thiago Grossi Faria.

    O outro lado

    O bahia.ba entrou em contato com o Colégio Notarial da Bahia, que não se manifestou formalmente sobre a divergência e denúncias até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para os esclarecimentos da diretoria.