Justiça afasta seis policiais denunciados por morte de guia em Caraíva

    De acordo com a denúncia, os crimes teriam sido cometidos por motivo torpe, com emprego de meio que resultou perigo comum.

    Foto: Reprodução / Redes Sociais

     

    A 1ª Vara Criminal de Porto Seguro acatou, nesta quinta-feira (20), o pedido do Ministério Público da Bahia (MPBA) e determinou o afastamento cautelar de seis policiais denunciados pelos homicídios de dois homens durante a “Operação Travessia”, realizada em maio de 2025, no distrito de Caraíva. Os agentes também estão proibidos de manter contato com familiares das vítimas e testemunhas.

    Os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade e os militares Angelo Rodolfo dos Santos Reis, Arthur Campos Barreto, Lúcio Mario Santos Sousa e Rodrigo Nogueira Mota foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública do MPBA (Geosp) por dois homicídios qualificados.

    De acordo com a denúncia, os crimes teriam sido cometidos por motivo torpe, com emprego de meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e utilização de arma de fogo de uso restrito.

    A equipe era composta por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core). Conforme o Geosp, uma das vítimas foi atingida por diversos disparos em local público, enquanto a outra teria sido abordada, revistada e depois alvejada. Laudos periciais apontaram lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos tiros.

    Além dos homicídios, os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade também foram denunciados por fraude processual. Segundo o MPBA, após os crimes, eles teriam praticado atos para alterar artificialmente a cena dos fatos e dificultar a reconstrução da dinâmica das mortes.

    Os fatos relacionados à eventual prática de fraude processual por policiais militares serão apurados oportunamente pela Vara de Auditoria Militar, em razão da competência especializada para a análise dessas condutas.

    Denúncia de MPBA

    O Ministério Público da Bahia (MPBA), por meio do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), denunciou à Justiça na quinta-feira (16) quatro policiais militares e dois policiais civis pela morte de dois homens durante a ‘Operação Travessia’, realizada em 10 de maio de 2025, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro.

    O MPBA também solicitou o afastamento cautelar dos denunciados de suas funções públicas durante a tramitação da ação penal.

    Os seis policiais foram acusados por dois homicídios qualificados, cometidos por motivo torpe, meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e emprego de arma de fogo de uso restrito.

    Relembre o caso

    A “Operação Travessia” tinha como objetivo cumprir o mandado de prisão contra um homem conhecido como Alongado. Segundo a Secretaria de Segurança do Bahia (SSP-BA), o suspeito era chefe de uma facção envolvida com tráficos de armas e entorpecentes, homicídios, roubo e lavagem de dinheiro.

    O suspeito resistiu a prisão, foi baleado durante o confronto com a polícia e morreu. Victor Cerqueira Santos Santana, conhecido como Vitinho, de 28 anos, foi abordado durante a operação, submetida a revista e, posteriormente, alvejado por disparos de arma de fogo.

    Laudo pericial apontou ainda a existência de lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos tiros. Ele não era suspeito de nenhum crime.