Acervo do historiador Cid Teixeira está à venda, com mais de 18 mil volumes

    As obras ocupam um apartamento de quatro quartos no bairro da Pituba e chamam interesse da Universidade de São Paulo (USP) e da biblioteca do Senado

    Foto: redes sociais

    O acervo de 18 mil volumes reunido pelo falecido historiador Cid Teixeira, um guardião da história da Bahia, está à venda, de acordo com publicação do jornal Correio. As obras ocupam um apartamento de quatro quartos no bairro da Pituba, onde o membro da Academia de Letras da Bahia viveu até sua morte, aos 96 anos, em dezembro de 2021.

    Os títulos reunidos por Cid estão sendo vendidos por R$ 100 mil. “Um preço simbólico, bem abaixo do valor de mercado”, afirmou um dos três netos do historiador, que também herdou o nome.

    “A família do professor Cid decidiu solicitar um pequeno valor apenas para cobrir despesas de armazenamento e também para garantir que o acervo seja comprado de forma unificada”, justificou Cid Neto em entrevista ao Correio.

    Entre os destaques do acervo, acomodado em estantes metálicas e sobre móveis, estão livros sobre política, direito e costumes no Brasil durante o período colonial; jornais com anúncios de época, incluindo a venda de escravos; e coleções de diários de viajantes, volumes sobre arte autografados por artistas como Carybé e Pierre Verger, e sobre a Segunda Guerra Mundial.

    Até agora, o acervo foi visitado tanto por pessoas físicas quanto por instituições públicas, privadas e sebistas. A Universidade de São Paulo (USP) e a biblioteca do Senado demonstraram interesse. No entanto, o desejo dos Teixeira é manter as obras na Bahia.

    “[Mas] caso não haja interesse em adquirir as obras, podemos considerar a possibilidade de vendê-las para instituições ou empresas fora da Bahia”, disse Cid Neto.

    Em março deste ano, o Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB) se pronunciou sobre o futuro do acervo de Cid Teixeira. O instituto fez um “Apelo Público” para que a Bahia “não perdesse um dos maiores acervos bibliográficos sobre sua história”. “Corre o risco de deixar o estado caso nenhuma pessoa ou instituição se mobilize”, escreveu o instituto em nota.

    Na época, o presidente do IGHB, Joaci Góes, chamou o acervo de Cid de “um tesouro que a Bahia não pode perder”. “A entidade que preside está liderando essa campanha para sensibilizar a sociedade baiana e os poderes públicos a fim de manter um ‘acervo tão precioso’”, disse.

    Uma comissão nomeada pelo Instituto visitou o apartamento do professor. De lá, o grupo saiu com a impressão sintetizada pelo diretor da Biblioteca Ruy Barbosa, Jorge Ramos: “é inconcebível que nossas instituições, empresas públicas ou privadas, deixem sair da Bahia uma das maiores e mais expressivas coleções sobre o nosso rico e importante passado”.