Analistas esperam queda no mercado após demissão de Prates

    A própria estatal deve sentir os efeitos da mudança

    Foto: Maurício Pingo/Agência Petrobras

    O mercado financeiro espera uma repercussão negativa após a queda de Prates e a sinalização é de que as ações devem abrir em baixa nesta quarta-feira (15). “A demissão é um péssimo sinal porque mostra que a interferência política é enorme na companhia”, afirma Flávio Conde, analista da Levante Ideias de Investimento. “Não pode uma empresa como a Petrobras ter oito presidentes em quatro anos. O corpo diretivo da estatal é ótimo, com grandes profissionais e especialistas, e eles não mereciam ter uma mudança tão frequente no comando. É lamentável e amanhã as ações devem cair.”

    A sensação de instabilidade não deve se restringir apenas ao mercado financeiro, a própria estatal deve sentir os danos em sua imagem, é o que aponta Joao Coutinho, economista e diretor da RJ+Asset. “Com essa mudança, a desconfiança sobre o futuro da empresa irá crescer muito. As ADRs da empresa já realizam perdas acima de 7% nesse momento”.

    A saída de Prates abre também uma incerteza em relação a sua sucessora, Magda Chambriard, ex-diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) durante o governo de Dilma Rousseff. O fato de ter atuado durante o governo da ex-presidente é um fator de atenção para os analistas apesar de sua muita experiência no setor de petróleo.

    “Ela tem a marca de ser envolvida no governo Dilma, que causa calafrios nos investidores. Outro ponto negativo dessa decisão é a surpresa. O mercado não gosta de ser pego no contrapé”, afirma Felipe Corleta, sócio da GTF Capital. “As ações já estão despencando em Nova York no pós-mercado e amanhã vai ser um dia muito feio na bolsa de valores brasileira. O Ibovespa vai cair e isso vai trazer incerteza no ponto de vista de câmbio e juro, porque a Petrobras é uma estatal extremamente importante no Brasil.”

    Para o economista André Perfeito a demissão de Prates soma-se a “um conjunto grande de mal estar dos últimos dias”, como o placar rachado na decisão do Copom, a emergência climática no Rio Grande do Sul e a persistência de juros elevados nos Estados Unidos. “A impressão que se tem é que a decisão de Lula foi no sentido de forçar a Petrobras rumo ao investimento, o que ele tem todo o direito de fazer, mas inevitavelmente o efeito de curto prazo é a perspectiva que o preço corrente das ações deve ser descontado”, ressalta.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu Jean Paul Prates do comando da Petrobras (PETR4) nesta terça-feira (14). À frente da estatal desde janeiro de 2023, a saída de Prates foi especulada em diferentes ocasiões. Segundo matéria do Estadão, no final de março, o próprio Planalto passou a monitorar “ataques especulativos” sobre a saída do ex-senador do cargo. Já na primeira semana de abril, os boatos se fortaleceram em meio a um processo de fritura do CEO, que nos bastidores teria um embate com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.