‘Não há evidência de imunidade de rebanho no Brasil’, diz braço latino da OMS

    Afirmação foi feita por Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças contagiosas da Organização Pan-americana de Saúde (Opas)

    Foto: Mário Oliveira/Fotos Públicas

    O braço latino-americano da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nessa terça-feira (14) que “não há nenhuma evidência de que a imunidade de rebanho possa ter sido atingida em qualquer parte do Brasil”. A chamada imunidade de rebanho ocorre quando o percentual de pessoas imunes ao vírus em uma dada população é tão alto que impede que a doença siga circulando.

    A afirmação foi feita por Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças contagiosas da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), da OMS, em resposta a um questionamento da BBC News Brasil.

    Nos últimos dias, epidemiologistas e novos estudos passaram a sugerir a possibilidade de imunidade coletiva como explicação para a redução sustentada de novos casos de Covid-19 em áreas como São Paulo e Manaus, que sofreram com surtos graves de coronavírus e têm vivenciado momentos de reabertura e maior circulação de pessoas sem novos picos da doença.

    Hoje, a OMS trabalha com uma taxa de prevalência de anticorpos em cerca de 14% da população da capital do Amazonas e pouco mais de 3% em São Paulo.

    Imunidade de rebanho em xeque

    Espinal questionou ainda o próprio conceito de imunidade de rebanho. “Os estudos mais recentes mostram que os anticorpos necessários para caracterizar imunidade de rebanho, aqueles que podem realmente destruir a doença, começam a desaparecer depois de três meses que a pessoa teve a infecção”, afirmou o diretor da Opas.

    Especialistas ainda não sabem se, em contato com o vírus novamente, o corpo humano retomaria a produção dessas células de combate ao patógeno ou se a pessoa infectada antes pelo novo coronavírus poderia desenvolver um novo quadro de Covid-19 no futuro.

    Com informações da BBC Brasil