Tiroteios decorrentes de ações policiais crescem 15,5% na capital e RMS, aponta Fogo Cruzado

    Das 916 ocorrências mapeadas no 1º semestre deste ano, 349 são atribuídas à atuação das forças de segurança; em 2023, foram 285 casos

    Foto: Alberto Maraux/SSP-BA

    Foto: Alberto Maraux/SSP-BA

    Ao menos 38% dos tiroteios mapeados na Grande Salvador desde o início do ano foram decorrentes de ações policiais. No primeiro semestre de 2023, essa proporção era de 36%; e, entre julho e dezembro de 2023, alcançava 37%.

    De janeiro a junho deste ano, das 916 ocorrências com disparo de arma de fogo, 349 são atribuídas à atuação das forças de segurança.

    O aumento é de 15,5%, na comparação com o primeiro semestre de 2023, quando 793 tiroteios foram mapeados, 285 deles em ações policiais.

    Os dados fazem parte de um relatório semestral lançado nesta segunda-feira (15) pelo instituto Fogo Cruzado. O bahia.ba procurou a SSP-BA (Secretaria de Segurança Pública da Bahia) para questioná-la sobre os números, mas não obteve resposta.

    De acordo com o levantamento, 860 pessoas foram baleadas no mesmo período: 682 morreram e 178 ficaram feridas. Em relação ao acumulado do primeiro semestre de 2023, o número de mortos é 14% maior, e o de feridos, 10,5% superior. No mesmo período do ano passado, 758 pessoas foram baleadas, das quais 597 morreram e 161 ficaram feridas.

    Entre as 860 pessoas baleadas, 309 delas foram atingidas durante ações/operações policiais, número que equivale a 36% das vítimas. Foram 248 pessoas mortas e 61 feridas nessas ações. De janeiro a junho de 2023, das 758 pessoas baleadas, 33% foram atingidas em ações policiais: 205 morreram e 45 ficaram feridas.

    Chacinas caem, mas mantêm média de um caso por mês

    Conforme os dados compilados pelo Fogo Cruzado, houve queda no número de chacinas em Salvador e na região metropolitana. Foram sete casos, que deixaram 23 civis mortos. No mesmo período de 2023, houve 21 ocorrências desse tipo, com 74 óbitos.

    Apesar da queda entre os períodos, o número revela uma importante constatação: se não fossem as ações policiais ocorridas no período, Salvador e região metropolitana não teriam concentrado cerca de uma chacina por mês nos primeiros seis meses do ano, afirma o instituto.

    Entre as sete chacinas mapeadas, cinco foram de autoria policial — 71% dos casos—, com saldo de 17 civis mortos como resultado. Em 2023, no mesmo período, das 21 mapeadas, 14 ocorreram com a participação de agente de segurança, o que corresponde a 66% dos casos, com 47 mortos.

    “Os dados do relatório semestral do Fogo Cruzado não deixam dúvidas: a política de segurança baiana continua colocando a população frequentemente na linha de tiro. A participação policial nos tiroteios está em uma escala crescente, amedrontando os mais vulneráveis e tornando Salvador e região metropolitana um espaço cada vez mais inseguro. É preciso que políticas públicas sejam pensadas para trazer paz para a população”, afirma Dudu Ribeiro, cofundador e diretor executivo da Iniciativa Negra, organização parceira do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, e integrante da Rede de Observatórios da Segurança do estado.