Com os cortes financeiros, unidades de saúde filantrópica estão com déficit

    Serviços prestados por entidades estão sofrendo com dificuldade de pagar contas

    Foto: Divulgação/ Osid

    Com o subfinanciamento, os serviços das organizações como os hospitais Martagão Gesteira, Aristides Maltez e Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) estão reforçando o apelo para doações neste fim de ano. De acordo com a presidente da Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado da Bahia (FESF-BA), Dora Nunes, 98% das instituições estão com defasagem e desequilíbrio contratual em mais de 70%.

    A federação engloba entidades como o Hospital Santo Antônio, Hospital Português, Hospital Martagão Gesteira e Santa Casa da Bahia aponta um padrão de carência entre as unidades. “Todas as organizações estão extremamente desesperadas”, afirma Nunes em matéria do jornal A Tarde.

    O gestor administrativo e financeiro da Osid, Milton Carvalho, conta que “por enquanto, estamos mantendo todos os serviços prestados no seu quantitativo e qualitativo, mas se perdurar esse cenário tão deficitário, será inevitável a redução dos serviços e fechamento de alguns leitos”.

    O cenário foi agravado, para a Osid, com o enfrentamento da pandemia de Covid-19 e com o avanço da inflação nos preços dos insumos, como material hospitalar e medicamentos, em mais de 10% em 2021 e de 6% deste ano, desse modo a entidade deve fechar o ano com um déficit de R$ 30 milhões. “A preocupação é grande, porque o déficit representa um volume muito elevado, de modo que estamos com dificuldades em fechar as contas deste ano”, diz o gestor.

    A situação é compartilhada com as demais instituições, como no caso do Hospital Martagão Gesteira, com um déficit mensal de cerca de R$ 800 mil. Segundo o hospital, nos últimos cinco anos, tem ocorrido uma defasagem da tabela SUS. O Martagão Gesteira informou que tem se mantido, em grande parte, por causa das doações e parcerias.

    Em sua campanha de final de ano, cujo mote é “Esperança, é o que temos para hoje”, a instituição pede que os baianos doem e façam parte da rede de “Amigos do Martagão”, doadores regulares que ajudam mensalmente com diferentes valores. “Precisamos arrecadar recursos para tentar cobrir o déficit mensal de R$ 700 mil”, disse o superintendente geral da Liga Álvaro Bahia, Carlos Emanuel Melo.

    O diretor do Aristides Maltez, Washington Couto falou que “as doações são o que fecham a nossa conta. Uma queda nas doações é levar a gente a uma condição difícil. Nós estamos, em termos de doação, ainda em queda. Houve uma queda substancial no período da pandemia, hoje a gente está numa situação melhor, mas não conseguimos voltar à situação de 2019”. O diretor explica ainda que a maior preocupação tem sido o aumento do valor da anestesiologia. “Isso vai atingir, principalmente as cirurgias. O Hospital Aristides Maltez é o que mais opera cirurgias oncológicas pelo SUS no país”, diz.