Cartórios apontam que 842 crianças se tornam órfãs por ano em Salvador

    Em 2021, a pandemia da COVID-19 foi responsável por ao menos 1/5 da orfandade em território soteropolitano

    Foto: Freepik

    Um levantamento inédito realizado pelos Cartórios de Registro Civil da Bahia revela que, anualmente, 842 crianças e adolescentes de até 17 anos ficam órfãos de pelo menos um dos pais em Salvador. Os dados, consolidados pela primeira vez a nível estadual, abrangem o período de 2021 a 2024 e mostram, em 2021, que a Covid-19 foi responsável por cerca de um quinto dos casos de orfandade na cidade, com 149 crianças perdendo seus pais devido à doença.

    A pesquisa foi possível graças ao cruzamento dos dados dos CPFs dos pais nos registros de óbitos com os registros de nascimento dos filhos, uma prática que só se tornou viável após 2019, quando passou a ser obrigatória a inclusão do CPF dos pais no registro de nascimento. Isso permitiu uma correlação exata entre os dados, possibilitando uma medição precisa do número de órfãos a cada ano.

    De acordo com o levantamento, em 2021, o total de órfãos em Salvador foi de 845, enquanto em 2022 esse número caiu para 774. Em 2023, o número de órfãos subiu para 928 e, até outubro de 2024, já foram registrados 823 casos, com a possibilidade de superar o recorde do ano anterior.

    O estudo também mostra o impacto da Covid-19. Desde 2019, a doença causou a orfandade de pelo menos 213 crianças. Quando considerados casos de doenças associadas ao coronavírus, como Síndrome Respiratória Aguda Grave (7), Insuficiência Respiratória (127) e Causas Indeterminadas (5), o número total de órfãos pode chegar a 352. Além disso, pelo menos 11 crianças perderam ambos os pais devido à Covid-19. O levantamento aponta ainda que doenças como Infarto, AVC, Sepse e Pneumonia, agravadas pela pandemia, contribuíram para o aumento do número de órfãos nos últimos anos.

    “Esse levantamento demonstra como os cartórios baianos desempenham um papel essencial na produção de dados confiáveis para a sociedade. A partir dessas informações, é possível compreender melhor a realidade da orfandade no estado e trabalhar para que políticas públicas sejam direcionadas a essas crianças e adolescentes que necessitam de suporte”, destaca Daniel Sampaio, presidente da Anoreg-BA.