Zé de Zulmira diz que forró não aguenta mais sanfona enfonada

    "Eu tô é doido para ver o forró voltar a pleno vapor"

    Pergunta a Zé de Zulmira, um dos arautos da legião de forrozeiros que povoam o Nordeste brasileiro: qual a expectativa com a volta do São João após dois anos de sanfona enfonada?

    — Eu não tenho expectativa. Eu tô é doido para ver o forró voltar a pleno vapor.

    Zé, que é dono da Forró Frutos Nordestinos, sediada em Simões Filho, e um dos fundadores da Associação Bahiana de Forrozeiros, diz que a pandemia da Covid espalhou muitas dores e tristezas no time da sanfona e da zabumba, pela morte de alguns vítima da doença e outros ameaçados de morte pela fome:

    — Minha banda só sobreviveu porque o sanfoneiro é o meu filho (Fernandinho do Acordeon), e eu há 42 anos vendo bananas na Ceasa.

    Lei da Zabumba

    Santas bananas, ressalte-se. Foi com o bom manejo delas que Zé também ajudou o time dos que o rodeiam para fazer a Frutos Nordestinos frutar. Ele conta que na pandemia a Prefeitura de Simões Filho recebeu R$ 1 milhão para acudir o pessoal da cultura na pandemia, mas o resultado foi pífio:

    — O dinheiro… se não comeram, devolveram.

    Apesar dos pesares, só a volta do velho normal já é um bom alento. Conta Zé que em 2015 a Assembleia Legidslativa da Bahia aprovou a Lei da Zabumba, que obrigava as prefeituras a aplicar 65% da verba do São João no forró pé de serra, para tirar da concorrência pagodes e afins. A lei é daquelas aprovadas e engavetadas. ‘Mas o forró é mais forte’, diz.