Wagner, Neto, Nilo e mais 30 baianos aparecem em listas da Odebrecht

    Documentos envolvem 200 nomes de políticos de todo o país e de 18 partidos que receberam dinheiro da construtora ao longo de anos

    O governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) durante cerimônia do 7 de Setembro no ano passado ( Foto : Raul Golinelli/GOVBA)

    Documentos apreendidos durante a operação “Acarajé” e liberados pela força-tarefa da Operação Lava Jato nesta terça-feira (22) tiveram o efeito explosivo de uma bomba atômica. Na lista aparecem os nomes de pelo menos 200 políticos de 18 partidos e as contribuições financeiras que receberam da empreiteira ao longo de anos.

    E os políticos baianos não ficaram de fora: Jaques Wagner (PT), Marcelo Nilo, recém-filiado ao PSL, o prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), Jutahy Magalhães (PSDB), Mário Kertész (então no PMDB) e Pedro Godinho (PMDB) aparecem entre os citados. Pelo menos 25 representantes da Bahia estão listados.

    Conforme informações do Blog do Fernando Rodrigues do UOL, as planilhas estavam sob os cuidados de Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, e conhecido no meio empresarial como “BJ’.

    As planilhas são um  riquíssimo material, que, embora não devam ser automaticamente consideradas como prova de que houve recebimento de dinheiro de caixa 2, são indícios concretos que serão investigados pela Lava Jato.

    Codinomes – Também é possível conhecer os codinomes que alguns dos políticos listados recebiam da direção da Odebrecht. Entre os baianos, Jaques Wagner, ministro do Gabinete da Presidência, é o “Passivo”; Nilo é chamado de “Rio”; o presidente estadual do PCdoB, o deputado federal Daniel Almeida, o “Comuna”; Kertész é “Roberval”; Pelegrino, “Pelé”; O deputado federal Arthur Maia, “Tuca”; o vereador Edvaldo Brito (PTB), “Candomblé”, e o seu colega de Câmara de Salvador, Paulo Magalhães Júnior (PSC), “Goleiro”.

    Confira a lista completa dos baianos que aparecem na listagem da construtora:

    Governador 2010

    Jaques Wagner (PT) – destinado: R$ 3 milhões/ pago R$ 2,4 mi

    Paulo Souto (DEM) – R$ 800 mil (destinado: 500 mil/ pago R$ 400 mil + destinado: R$ 500 mil/ pago R$ 400 mil)

    Prefeituráveis

    Salvador – ACM Neto (DEM) – R$ 2 milhões
    Salvador – Mário Kertész (então PMDB) – R$ 1,1 milhão
    Salvador – Nelson Pelegrino (PT) – R$ 1,5 milhão
    Candeias – Tonha Magalhães (PR) – R$ 50 mil
    Candeias – Carlos Martins (PT) – R$ 200 mil
    Camaçari – Ademar Delgado (na época PT, hoje no PV) – R$ 100 mil
    Camaçari – Maurício Bacelar (PTN) – R$ 100 mil
    Dias D’Ávila – Jussara Márcia (PT) – R$ 50 mil
    Madre de Deus – Carmen Gandarella (PT) – R$ 50 mil
    Madre de Deus – Jefferson Andrade (PP) – R$ 50 mil
    Simões Filho – Eduardo Alencar (PSD) – R$ 50 mil
    Simões Filho – Dinha (PMDB) – R$ 20 mil

    Deputados federais

    Arthur Maia (então no PMDB, hoje no PPS) – R$ 150 mil/ R$ 100 mil (2012) + R$ 50 mil (2010)
    Daniel Almeida (PCdoB) – R$ 150 mil
    Jutahy Magalhães Jr. (PSDB) – R$ 180 mil/ R$ 150 mil (2012) + R$ 30 mil (2010)
    João Almeida (PSDB) – R$ 50 mil
    José Carlos Aleluia (DEM) – R$ 150 mil

    Deputados estaduais

    Marcelo Nilo (PDT na época, hoje no PSL) – R$ 300 mil
    Leur Lomanto Júnior (PMDB) – R$ 20 mil (2010)

    Vereadores

    Henrique Carballal (então no PT, hoje no PV) – R$ 150 mil
    Waldir Pires (PT) – R$ 100 mil
    Doutor Giovani (PT) – R$ 30 mil
    Arnando Lessa (PT) – R$ 20 mil
    Pinheiro (PT) – R$ 10 mil
    Vânia Galvão (PT) – R$ 20 mil
    Léo Prates (DEM) – R$ 30 mil
    Paulo Câmara (PSDB) – R$ 50 mil
    Geraldo Júnior (PTN na época, hoje no SD) – R$ 80 mil
    Paulo Magalhães (PSC) – R$ 80 mil
    Edvaldo Brito (PTB na época, hoje no PSD) – R$ 150 mil
    Pedro Godinho (PMDB) – R$ 100 mil
    Camaçari – Luís Tavares (PT) – R$ 10 mil