Viagem de ex-ministro à Bahia aponta elo com delator, diz PF

    Paulo Bernardo participou da cerimônia de inauguração de um centro digital na cidade de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano

    (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

    A agenda de compromissos em 2014 do então ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (PT-PR), indica que era ele o interlocutor de mensagens interceptadas pela Polícia Federal no telefone do executivo da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo. Em relatório na Operação Lava Jato, a PF apontou que o celular que registrou trocas de mensagens com Azevedo “possivelmente” pertenceria a Paulo Bernardo.

    O interlocutor de Azevedo afirma que no dia 29 de maio de 2014 estaria “em viagem à Bahia”, mas voltaria na tarde do mesmo dia. A agenda do então ministro informa que às 11h daquele dia ele participou da cerimônia de inauguração de um centro digital na cidade de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano.

    Em 25 de abril de 2014, o interlocutor diz a Azevedo que estaria no Rio de Janeiro para uma “reunião na Finep”, referência a uma empresa pública de fomento à ciência e tecnologia. No mesmo dia, a agenda de Bernardo apontou como compromisso do então ministro, no Rio, uma reunião no conselho administrativo da Finep.

    Já em 21 de maio de 2014, o interlocutor do empreiteiro indaga se eles poderiam se encontrar “no aeroporto”, sem citar a cidade, no dia seguinte, 22 de maio. Na agenda oficial de Paulo Bernardo, consta que ele estava em Curitiba (PR) em 23 de maio.

    Bernardo foi preso em junho na Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato, que investiga desvios do Ministério do Planejamento. Ele ficou por seis dias na carceragem e foi solto por ordem do ministro do STF Dias Toffoli, que justificou não haver motivos que justificassem a manutenção da prisão, como risco de fuga.

    Ex-ministro dos governos Lula e Dilma, o petista é suspeito de ter se beneficiado de propina de contratos do Ministério do Planejamento que perduraram de 2010 a 2015. A Operação Lava Jato investiga lobby da Andrade Gutierrez na Anatel no período em que Bernardo era ministro das Comunicações.