Valmir descarta desgaste de governos do PT com invasões do MST: ‘Não há radicalismo’

    ‘A mediação tem sido positiva e a empresa assegurou o cumprimento do acordo que já tinha sido firmado há mais de 10 anos’, avaliou o deputado

    Foto: Mayrá Lima / Ascom de Valmir Assunção

    Ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e às pautas que envolvem a reforma agrária, o deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) comemorou a reunião realizada entre o governo federal, a Suzano e dirigentes do MST, nesta quarta-feira (8), em Brasília (DF), após as invasões recentes ocorridas em propriedades da empresa na Bahia.

    Dada a boa interlocução histórica entre seu partido e o MST, ele ressaltou os consensos estabelecidos no encontro e descartou eventual desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Jerônimo Rodrigues (PT) por conta dos incidentes.

    “Não há radicalismo, ou críticas, mas o estabelecimento da política, o que é fundamental para a conquista de direitos”, disse ele ao bahia.ba, ao ser questionado sobre a possibilidade das invasões municiarem as críticas da oposição dos governos petistas ao suposto radicalismo.

    “A mediação tem sido positiva e a empresa assegurou o cumprimento do acordo que já tinha sido firmado há mais de 10 anos. São 650 famílias a serem assentadas, conforme o que foi acordado com o Movimento Sem Terra”, declarou o parlamentar, segundo o qual “somente a Suzano não concluiu o que tinha acordado”, enquanto as demais empresas cumpriram todas as demandas previamente negociadas.

    Valmir defendeu ainda que “a ocupação de terra é um instrumento de protesto reconhecido e legítimo” ao apontar que os assentamentos existentes hoje são resultados de antigas ocupações e destacou que há previsão legal para as reivindicações do MST.

    “Se temos alimentos saudáveis, produção de sucos e outros produtos, é porque famílias ocuparam áreas que chamaram atenção do poder público para a reforma agrária, um direito constitucional. Lembremos que a propriedade rural é condicionada a uma função social e isso deve ser cumprido em meios produtivos, ambientais e trabalhistas, também conforme a Constituição”, argumentou o deputado.

    Além do próprio Valmir, a reunião desta quarta-feira (8), contou com as presenças do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira; dos dirigentes nacionais do MST, Liu Durães, Evanildo Costa e João Paulo Rodrigues; do vice-presidente da Suzano, Luiz Bueno e os diretores da empresa, Walner Júnior e Leonardo Mercante; do presidente do INCRA, César Aldrighi; o presidente do INCRA da Bahia, Carlos Borges; Cláudia Dadico, juíza federal e do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Agrários; do secretário da Casa Civil da Bahia, Afonso Florence; além de procuradores federais e assessorias.