Uber encharca de gente e está virando trabalho escravo

    Em Salvador, até o carnaval, o número já ultrapassava a casa dos 10 mil, maior do que os 7,5 mil táxis oficiais

    Foto: Divulgação

    Aberto a adesões sem maiores delongas em um tempo de desemprego em massa, o Uber está se tornando um problema para os próprios motoristas que a ele se integraram.

    Em Belo Horizonte eles já encharcaram a praça, com mais de 20 mil, em Curitiba também. Em Salvador, até o carnaval, o número já ultrapassava a casa dos 10 mil, maior do que os 7,5 mil táxis oficiais.

    Resultado: a concorrência entre eles é tanta que alguns admitem: está virando trabalho escravo para pagar as contas.

    Buscando saídas

    Robson dos Santos, que foi Uber em BH e depois em Curitiba, é testemunha disso:

    — Não há como pagar pneus e a manutenção do carro. Tinha dias que eu parava em um lugar qualquer no meio da rua para tirar uma soneca. Não aguentava.

    Robson esteve em Salvador semana passada em um debate sobre o Uber na Assembleia. Ele contou que chutou o pau da barraca e partiu para uma experiência nova, o aplicativo UP Driver, uma associação que oferece até plano de saúde e odontológico e também presta serviços a empresas, alguns especializados:

    — Dos 300 associados que temos 27 falam outras línguas, inglês, espanhol, alemão e até o aramaico. Nós só temos dois meses, mas estamos indo bem.