“Ser prefeito hoje é como ser homem bomba”, diz gestor de Itagi

    Prefeito de Itagi, Railton Ramos, teve contas reprovadas pelo Tribunal de Contas dos Munícipios

    Durante a assinatura do Consórcio de Saúde celebrado entre 16 municípios da região de Jequié, na tarde desta quinta-feira (19), o prefeito de Itagi, Railton Ramos (PT), aproveitou para desabafar em seu discurso.

    “Ser prefeito hoje é como ser homem bomba. É como colocar um cinturão cheio de bomba e dizer que se quer explodir a frente da gestão. É uma operação de risco. Está muito difícil”, afirmou de maneira polêmica o gestor que teve as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios na quarta-feira (18).

    Segundo Ramos, a reprovação ocorreu por conta da prefeitura ultrapassar o índice de gastos com funcionários no orçamento, descumprindo o índice previsto na lei de responsabilidade fiscal.

    “Vou recorrer e a expectativa é de que seja reconsiderado. Eu teria que retirar até funcionários efetivos para cumprir. Funcionários concursados em outras gestões. Sou prefeito de primeira gestão. E se você tira, o Ministério Público pede reintegração. É preciso um novo pacto federativo. É muita obrigação dos municípios e pouca contrapartida”, afirmou.

    De acordo com Ramos, Itagi, que fica na região cacaueira e que hoje tem cerca de 14 mil habitantes, perdeu população para outras cidades por conta da crise do cacau e viu os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) diminuir consideravelmente.

    “Não compete a mim julgar a existência do Tribunal de Contas. Mas o Tribunal precisa estar mais sensível ao contexto. Só ontem (quarta) foram mais três prefeituras, além da minha, reprovadas na Bahia” pontuou.

    Para Ramos, existia a expectativa de que a lei de responsabilidade fiscal mudasse. “Porque os gastos com os programas federais impactam no orçamento dos municípios e os recursos enviados estão aquém do necessário. O município tem que desembolsar”, completou.