Roberto Gaguinho se foi, mas fez o melhor: deu o bom recado

    Deixou viúva D. Jandira Cerqueira, seis filhos, 11 netos, um bisneto e uma legião de amigos

    Oscar Niemayer já dizia que a vida é assim, cada um vem, dá o seu recado e vai embora. E é evidente que o recado tem hierarquia moral, oscila entre os ótimos e os péssimos. Paulo Roberto Elóy da Costa, o Roberto Gaguinho, está no time dos bons, a nosso ver.

    Gaguinho fez em novembro uma cirurgia cardíaca, deu azar. Uma bactéria lhe pegou, e, de lá para cá, a vida dele foi entre idas e vindas ao hospital, até que na tarde de anteontem ele perdeu a batalha. Deixou viúva D. Jandira Cerqueira, seis filhos, 11 netos, um bisneto e uma legião de amigos que foi ontem ao Campo Santo lhe abraçar.

    Documentários

    Figura afável, sempre de bem com a vida, em casa, na rua, com os colegas, trabalhou em A TARDE e na TV E, mas tem no currículo o crédito de ter produzido dois grandes documentários, um sobre a vida do historiador Cid Teixeira, e outro do jornalista Jorge Calmon, que durante 60 anos foi diretor de redação de A TARDE.

    Conta o também jornalista Agostinho Muniz que o depoimento de Jorge Calmon, tomado em 2003, demorou seis horas, mas o documentário foi de apenas 45 minutos.

    — Temos que resgatar a gravação inteira. Sei que num determinado momento Gaguinho perguntou a Calmon o que ele achava de ACM. Resposta: ‘Não quero falar desse rapaz’.

    Walter Pinheiro, presidente da ABI, disse que vai se empenhar para correr atrás. Ideia que também homenageia o nosso Gaguinho.