Prefeitos gritam e vão a Brasília gritar mais. A briga deles só anda no grito

    Eles querem imediatamente um socorro de R$ 4 bilhões e esperam sensibilizar o Planalto para o sufoco em que vivem

    Frase da vez

    “Não há virtude, rigorosamente falando, sem vitória sobre nós próprios, e nada vale o que nada nos custa”
    Xavier Maistre, escritor francês (1763-1852).

    Foto: Mateus Soares/ bahia.ba
    Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

     

    Se barulho ajuda a resolver, os prefeitos baianos deram o recado. Mais de 350 deles, com o apoio dos senadores Otto Alencar (PSD) e Lídice da Mata (PSB), 14 deputados federais e 30 estaduais, disseram que estão no sufoco, com o corte de repasses federais e no semi-árido, a maior parte do estado, uma seca que provoca uma crise hídrica sem precedentes. Em suma, um cenário ruim.

    Eles querem imediatamente um socorro de R$ 4 bilhões e esperam sensibilizar o Planalto para o sufoco em que vivem. Com a palavra Zé Ronaldo (DEM), prefeito de Feira de Santana:

    — O governo aprova idéias que geram despesas. Veja o caso dos Postos de Saúde da Família (PSFs). Foi criado em regime tripartite. Ao longo do tempo, as despesas aumentam, especialmente com salários, mas os repasses, não. Todos aqui sabem que já fui deputado estadual e federal. E sei que as coisas só andam com agilidade e presteza quando a pressão vem das ruas.

    Com a palavra Moema Gramacho (PT), de Lauro de Freitas:

    — Todo prefeito é ligado a algum deputado. Temos que pressionar os nossos deputados, do governo ou da oposição. Vamos a Brasília!

    Eures Ribeiro (PSB), prefeito de Bom Jesus da Lapa e presidente da UPB, diz que a estratégia é essa, pressionar com força:

    — Obtivemos do governador Rui Costa o sinal amarelo. Estamos cobrando R$ 1 bilhão referentes a 25% dos royalties repassados aos Estados que a Bahia nunca pagou. Ele nos disse que vai estudar o assunto e dará uma resposta. A esperança é que o começo do pagamento seja já em janeiro.

    A grande aposta é a Marcha a Brasília, 22 de novembro, quando eles esperam sacudir Brasília para pressionar Temer.

    Fichinha para Temer

    Presente no protesto dos prefeitos, a senadora Lídice da Mata disse que Temer só não atende o pedido dos prefeitos de liberar um socorro de R$ 4 bilhões se não quiser:

    — Muito mais ele gastou com a liberação de emendas para conseguir votos na Câmara e também com renúncias fiscais.

    Lídice diz que outro justo pleito é o que ajusta o índice de gastos com pessoal conforme os valores repassados:

    — O problema aí é o PSDB. Foi o partido que fez a Lei de Responsabilidade Fiscal e quando fala em bulir, eles se agitam.

    Nas redes

    Aliás, no protesto de ontem, além dos prefeitos, haviam mais de duas mil pessoas acompanhando. Em minutos o caso estava nas redes sociais. Diziam´que tinha mais prefeito do que municípios.