Pacheco diz que Venezuela se afasta da transparência e questiona legitimidade das eleições

    Segundo ele, é 'impossível' aceitar que os resultados das eleições no país vizinho não sejam transparentes e legitimados pela opinião pública

    Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

    O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou, por meio de nota oficial divulgada na terça-feira (30), que o governo da Venezuela, comandado pelo ditador Nicolás Maduro, “se afasta” da lisura e da transparência eleitorais.

    Segundo matéria do InfoMoney, na nota, Pacheco considera que o governo venezuelano não apresenta os valores que garantiriam a legitimidade democrática do processo eleitoral. Ele também afirmou que as violações à democracia devem ser apontadas sem “casuísmo”.

    “Numa democracia, a lisura e a transparência do processo eleitoral que assegurem a prevalência da vontade do povo são base essencial e insuperável. O governo da Venezuela se afasta disso ao não demonstrar esses valores com clareza. A luta pela democracia não nos permite ser seletivos e casuístas. Toda violação a ela deve ser apontada, prevenida e combatida, seja contra quem for.”

    Sob suspeição

    O senador Chico Rodrigues (PSB-RR), presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Venezuela e que acompanhou o pleito em Caracas como observador internacional, afirmou, em entrevista à Rádio Senado, que as eleições estão “sob suspeição”. O presidente relatou que já havia nesse país a expectativa de que o resultado não seria “pacífico e real”. Para ele, o momento é “muito tenso”.

    “Os relatórios a serem apresentados serão resultado do que vimos com nossos próprios olhos. Não houve transparência para legitimar o processo. As eleições estão sob suspeição”, disse o parlamentar.

    Rodrigues pontua ainda que a Venezuela é um país com importância estratégica, dadas as condições geopolíticas, e destacou que a normalização desse processo interessa ao Brasil. Para ele, é “impossível” aceitar que os resultados das eleições no país vizinho não sejam transparentes e legitimados pela opinião pública.

    “O mais importante de tudo é a apresentação das atas das sessões eleitorais. São elas que legitimam a eleição. O governo [venezuelano] criou dificuldade para divulgar essas atas. Nós observadores achamos muito estranho a proclamação imediata dos resultados. [Isso] Criou uma nuvem de dúvidas que agora se reproduziu na reação da oposição, que reclama com razão”, completou.

    A eleição

    Na madrugada de domingo (28) para segunda-feira (29), Maduro foi declarado vencedor das eleições presidenciais, supostamente com pouco mais de 51% dos votos, ante 44% do principal candidato da oposição, Edmundo González Urrutia.

    O resultado, recebido com perplexidade pela grande maioria dos países democráticos ocidentais já que o candidato oposicionista aparecia bem à frente de Maduro em todas as pesquisas dos principais institutos, gerou protestos ao redor do país. A oposição acusou o regime de fraudar a eleição, e diversos órgãos independentes internacionais apontaram irregularidades no pleito.