Oposição sai da briga e abre caminho para o governo tratorar

    O governo pagou um grande desgaste, é óbvio, pelo conjunto da obra. Mas ficaria mais caro se ontem a agonia se prolongasse

    Frase da vez

    “A força do direito deve superar o direito da força”

    Rui Barbosa, jurista brasileiro (1849-1923)

    Foto: Ascom/  Liderança da Oposição- Alba
    Foto: Ascom/ Liderança da Oposição – Alba

     

    O recorde de obstrução na Assembleia é de 44 horas ininterruptas, quase dois dias. A última foi de 36 horas. Ontem, a oposição até começou. E com isso passou a manhã. Pouco depois do meio dia, desistiu. E se retirou. A sessão que se esperava que varasse a madrugada acabou em menos do que se previa varar a madrugada. Acabou em menos de uma hora.

    O governo aprovou 13 projetos, inclusive os da reforma. Ficou para segunda a PEC que estabelece o salário do governador como teto estadual.

    Rolo compressor

    O deputado Luciano Ribeiro (DEM), líder da oposição, já entrou no auditório onde a sessão se realizava ironizando:

    — Olhe o velho Octávio Mangabeira, pense num absurdo, a Bahia tem precedente. Todos nós entramos aqui pela porta dos fundos para fazermos uma sessão nos porões da Assembleia.

    A princípio, avaliou-se a atitude de abandonar a sessão como positiva. Afinal, o pacote da reforma é impopular e o ônus seria todo dos governistas. Deu mais ou menos.

    Como um rolo compressor, os governistas tocaram a sessão como um trator e em menos de uma hora aprovaram 13 projetos, cinco do Executivo, inclusive os polêmicos; sete do TJ; um do Ministério Público e um do deputado Fabrício Falcão (PCdoB).

    O governo pagou um grande desgaste, é óbvio, pelo conjunto da obra. Mas ficaria mais caro se ontem a agonia se prolongasse.