O PP entre aceitar Bolsonaro ou não

    No sul, a resposta é sim. No Nordeste, todo ele, não. Na Bahia, nem conversa com o partido há

    Ciro Nogueira, senador licenciado do Piauí (a suplente é a mulher dele, Eliane), hoje ministro da Casa Civil da Presidência, presidente nacional do PP, partido que na Bahia é comando por João Leão, abriu consultas nos diretórios estaduais para uma pergunta: aceita Bolsonaro filiado ao partido?

    No sul, a resposta foi sim. No Nordeste, todo ele, não. Na Bahia, nem conversa com o partido houve. Mas nem precisava, segundo Jabes Ribeiro, ex-prefeito de Ilhéus e secretário-geral.

    — O diretório nacional sabe à exaustão qual é a nossa posição. Integramos uma aliança com o PT, que governa a Bahia, e gostaríamos de mantê-la. O partido deve entender e respeitar as particularidades de cada estado.

    Ironias

    Seja como for, isso conturba o cenário baiano, e os aliados de ACM Neto gostam. Aliás, antes de eleger-se presidente, Bolsonaro teve sete mandatos de deputado federal a partir de 1991, com os três últimos, de 2006 para cá, ele integrando a bancada do PP.

    Ciro Nogueira, agora o grande arauto de Bolsonaro no partido, ao contrário, firmou sua trajetória toda em aliança com o PT. Em 2010, se elegeu senador na chapa do governador Wilson Martins, tendo como companheiro Wellington Dias, hoje governador, ao lado de quem se reelegeu em 2018.

    Hoje, Ciro é o calo do PT, no Piauí e na Bahia. Coisas da política que mais parecem ironias do destino, não?