Molina descarta a gravação que nem Temer negou. Alguém acredita nele?

    No início dos anos 1990 outro perito famoso, Badan Palhares, jogou a reputação no lixo, ao apontar em laudo que Suzana Marcolino matou PC Farias, e se suicidou

    Frase da vez

    “A luta contra a criminalidade organizada é muito difícil, porque a criminalidade é organizada, mas nós não.”
    Antonio Amurri, jornalista e escritor italiano (1925-1992)

    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

     

    Nas faculdades de jornalismo e de direito muito se discute sobre o uso de gravações, para a publicização, ou para efeitos jurídicos. Em síntese, se diz que, se quem grava está na gravação, eu áudio ou imagem, não tem maiores delongas, é legal. O agente produtor do fato está claramente identificado.

    Se a gravação é feita com terceiros, com o agente gravador fora, é discutível. Gravar uma pessoa, sem conhecimento dela, em colóquios íntimos, por exemplo, ou conversas privadas, pode ser invasão de privacidade. Mas se o fato gravado for um crime, ou a trama dele, aí o caso muda. Ressalvadas tais circunstâncias, no jornalismo, tem-se como praxe publicizar e nunca houve questionamentos em contrário.

    Ora, no caso de Joesley Batista e Temer é a primeira situação com ingredientes da segunda. Aí aparece o perito Ricardo Molina, contratado pela defesa de Temer, para desdizer tudo e afirmar que a gravação não serve como prova por ter de muito baixa qualidade técnica. Não cola. Nem juridicamente e muito menos politicamente. Ademais, nem o próprio negou que tivesse tido a conversa.

    No início dos anos 1990 outro perito famoso, Badan Palhares, jogou a reputação no lixo ao apresentar um laudo dizendo que Suzana Marcolino matou PC Farias, o tesoureiro de Fernando Collor (que tinha acabado de sofrer o impeachment), e se suicidou.

    Molina, Molina, te cuida…