Lúcio diz que, com Temer, vai trabalhar para a Fiol andar

    Deputado reflete: "Nos EUA, Bill Clinton sofreu um processo de impeachment porque se envolveu com uma estagiária e ninguém disse que é golpe. Então, cá é golpe, lá não é? "

    Frase da vez

    “Todos amam o poder, mesmo que não saibam o que fazer com ele.”

    Escritor e político inglês (1804-1881)

    Obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste em Brumado | Foto: Elói Corrêa/GOVBA
    Obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste em Brumado | Foto: Elói Corrêa/GOVBA

     

    Único deputado federal do PMDB da Bahia e amigo de Michel Temer, Lúcio Vieira Lima diz que caso o impeachment de Dilma se confirme, como tudo indica, vai trabalhar para ver os grandes projetos da Bahia, como a Fiol e o Porto Sul acontecerem.

    – A Fiol está parada, só anda nos vídeos da propaganda, e o Porto Sul não saiu do papel. Mas nós não somos como o PT, que só é republicano no papel.

    Lúcio, normalmente extrovertido e brincalhão, na hora de votar no impeachment limitou-se a dizer sim. E ele explica:

    – Tinha muita gente desejando o voto à mulher, a mãe, a avó, a família, aos filhos e eu entendi que a hora era só de dizer sim ou não.

    Foto: Divulgação/ PMDB nacional
    Foto: Divulgação/ PMDB nacional

     

    Veja as posições de Lúcio sobre o momento político:

    Futuro político na Bahia

    – Não é hora disso. A hora é de pensar em como enfrentar a grave crise que o Brasil atravessa e isso não é tarefa fácil. Para começar, temos que montar um governo de coalizão nacional.

    Impeachment

    – Eles ficam dizendo que é golpe. Ora, a grande maioria do STF, a instância maior da Justiça, foi nomeada por Lula ou por Dilma. E o STF diz que não é golpe. É falta de alternativas políticas para tentar salvar um governo que já não deu. O povo estava querendo tirar Dilma. O problema não é Temer, é ela. Convenhamos, um governo que está no início do segundo ano do segundo mandato não consegue reunir 172 deputados em uma Câmara de 513, é porque acabou.

    Dilma na ONU

    – Ela está indo lá para dizer que é golpe. Ora, nos EUA, Bill Clinton sofreu um processo de impeachment (e foi absolvido) porque se envolveu com uma estagiária e ninguém disse que é golpe. É o mesmo expediente. Então, cá é golpe, lá não é? A imprensa internacional não reagiu com Clinton.

    Obras baianas

    – Tudo faremos para que elas continuem andando. É lógico que vamos olhar os ralos da corrupção. Mas aquilo que for importante para o desenvolvimento do estado. Além disso, é bom lembrar que Michel Temer não tem perfil de paralisar o que já está andamento por picuinha política.

    Nova eleição em outubro

    – Aí é que é golpe. A Constituição prevê que em caso de impedimento do presidente, assume o vice. Um lado perde a Presidência conforme as regras constitucionais, não quer aceitar, aí propõe mudar a Constituição. Os senadores que fizeram a proposta (entre eles os baianos Walter Pinheiro e Lídice da Mata) deveriam lembrar que o sistema brasileiro é bicameral. Do Senado tem que ir para a Câmara e vice-versa. E na Câmara não passa. O que Pinheiro e Lídice deveriam fazer era cobrar celeridade no processo de impeachment.

    Foto: Roberto Machado Alves
    Foto: Roberto Machado Alves

     

    Mico internacional 1

    A pouco mais de 90 dias para o início da Olimpíada o Brasil paga novo mico internacional.
    O desabamento da ciclovia na Avenida Oscar Niemayer, no Rio, é um absurdo. E mais absurdo ainda a explicação: quem planejou não calculou que as ondas poderiam bater forte na estrutura e carregá-la, em um local em que as ondas batem forte por minuto.
    Depois dizem “pensem em um absurdo, na Bahia tem precedente”. No Rio também tem.

    Mico internacional 2

    Ok, impeachment não é golpe. Mas a imprensa internacional, e agora também a respeitada revista inglesa The Economist, diz não entender como é que a Câmara que julgou a presidente é cheia de deputados acusados de crimes bem piores dos que os a ela atribuídos.

    Na Câmara, 48 deputados respondem a processo, dos quais 24 oriundos da Lava Jato. E, no Senado, 11 senadores estão implicados na Lava Jato. São os imorais cobrando moral.

    Foto: Roberto Setton/Divulgação
    Foto: Roberto Setton/Divulgação

     

    Zélia Duncan

    Aliás, a cantora Zélia Duncan, normalmente discreta em questões políticas, tirou o pé fora e bateu forte na situação, pegando também a desastrada fala do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Veja o que ela disse:

    – O rei dos réus presidindo a sessão já deveria ser ilegal e eu pergunto: exaltar assassinos confessos na hora de um voto tão importante para todos não seria também algo que precisa de uma consequência? Esse mesmo sujeito, Jair Voldemort Bolsonaro, exalta também Eduardo Cunha, o cínico dos cínicos, esfrega na nossa cara esse poder sombrio que os une, o poder de tirar o pudor do armário.