IBJR defende foco no combate às bets ilegais em resposta ao ‘Block no Tigrinho’

    Instituto critica restrições direcionadas às empresas regulamentadas pelo Governo Federal

    Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

    O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) se manifestou sobre a campanha “Block do Tigrinho”, lançada por artistas como Gilberto Gil, Djavan, Caetano Veloso, Chico Buarque, Marieta Severo, Camila Pitanga e Luisa Arraes, que alerta para os impactos sociais das apostas esportivas e jogos de azar online no Brasil.

    Em nota, o instituto afirmou acompanhar a mobilização promovida pela 342 Artes, mas defendeu que os esforços da campanha deveriam ser direcionados principalmente ao combate das plataformas clandestinas de apostas, consideradas pelo IBJR como o principal foco do chamado “jogo predatório”.

    Segundo o instituto, as empresas autorizadas pelo Governo Federal, identificadas pelo domínio “.bet.br”, operam sob regras rígidas de fiscalização e proteção ao consumidor, incluindo mecanismos de reconhecimento facial, controle de depósitos, limites de tempo de jogo e ferramentas de autoexclusão.

    O IBJR argumenta ainda que o mercado ilegal movimenta cerca de R$ 40 bilhões por ano fora do alcance das autoridades e representa prejuízos bilionários aos cofres públicos. Para a entidade, restrições excessivas à publicidade das plataformas regulamentadas podem acabar fortalecendo justamente os operadores clandestinos, que atuam sem fiscalização e sem oferecer garantias aos apostadores.

    A campanha “Block do Tigrinho” reúne artistas, atores e influenciadores em defesa de regras mais rígidas para o setor de apostas. No vídeo divulgado nas redes sociais, os participantes afirmam que as bets se tornaram um problema de saúde pública, associado ao endividamento, vício e sofrimento de milhares de famílias brasileiras.

    O IBJR declarou permanecer à disposição dos organizadores da campanha para contribuir tecnicamente com o debate sobre a regulamentação das apostas no país e reforçou seu posicionamento em defesa de um ambiente de apostas “seguro, transparente e responsável”.

    Confira nota do Instituto na íntegra:

    Para o IBJR, campanha “Block no Tigrinho” deveria ser direcionada às bets clandestinas

    O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acompanha a mobilização de artistas e da sociedade no movimento “Block no Tigrinho” e considera que a campanha deveria concentrar seus esforços no combate às plataformas clandestinas, onde estão os maiores riscos para os consumidores e a principal fonte de financiamento de organizações criminosas. Quem pretende combater o jogo predatório no Brasil deveria direcionar suas críticas e esforços às operações ilegais, e não às empresas fiscalizadas e autorizadas pelo Governo Federal.

    Os organizadores afirmam buscar mecanismos para combater o chamado “jogo predatório” no Brasil. Esse fenômeno ocorre justamente no mercado ilegal, formado por operadores que atuam à margem da regulamentação, sem controles, sem fiscalização e sem qualquer compromisso com a proteção dos consumidores.

    As operadoras autorizadas pelo Governo Federal, identificadas pelo domínio .bet.br, estão sujeitas a rígidas exigências regulatórias. Entre elas estão a proibição de pagamentos por cartão de crédito e criptomoedas, processos obrigatórios de identificação e reconhecimento facial, ferramentas de autoexclusão, limites de tempo de jogo, controle de depósitos e mecanismos de prevenção ao jogo problemático. A regulamentação é hoje o principal instrumento de proteção da saúde financeira e mental dos apostadores brasileiros.

    Enquanto isso, as plataformas clandestinas movimentam aproximadamente R$ 40 bilhões por ano fora do alcance das autoridades e geram perdas estimadas em R$ 10,8 bilhões anuais aos cofres públicos, segundo levantamento do Instituto Locomotiva e da LCA Consultoria. Em contraste, apenas em 2025 o mercado regulado contribuiu com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais, beneficiando áreas como esporte, turismo, segurança pública e educação.

    Em relação à publicidade, o IBJR ressalta que as restrições devem ser direcionadas ao mercado ilegal. São justamente as plataformas clandestinas que utilizam influenciadores e canais digitais sem qualquer controle para atrair consumidores, muitas vezes sem informar riscos ou oferecer mecanismos de proteção. A comunicação das empresas autorizadas segue regras específicas e cumpre papel importante ao permitir que o consumidor identifique operadores licenciados e diferenciá-los daqueles que atuam ilegalmente.

    Restrições excessivas à publicidade das empresas reguladas tendem a produzir efeito contrário ao desejado: enfraquecem os operadores autorizados e ampliam a visibilidade de plataformas clandestinas que não seguem regras, não pagam tributos e não oferecem qualquer garantia ao apostador.

    O IBJR permanece à disposição dos organizadores do movimento para contribuir tecnicamente com o debate e esclarecer informações que possam gerar confusão entre mercado regulado e mercado ilegal. O Instituto reafirma seu compromisso com um ambiente de apostas seguro, transparente, responsável e alinhado às melhores práticas internacionais de proteção ao consumidor.