Haddad chama esquema de descontos indevidos em aposentadorias de ‘indigno’

    Ministro da Fazenda pede punição exemplar e ressarcimento às vítimas após revelações de fraude no INSS

    Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), admitiu a gravidade do esquema bilionário de descontos não autorizados em aposentadorias, revelado pelo Metrópoles, e definiu o caso como “indigno”.

    Em dezembro de 2023, foi exposto fraudes no INSS que motivaram uma operação da Polícia Federal, com desvios estimados em até R$ 6,3 bilhões. O escândalo levou à demissão do presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).

    “Desejo que os responsáveis sejam punidos exemplarmente. É um escândalo: a pessoa trabalha a vida inteira e deve receber sua aposentadoria com dignidade”, declarou Haddad em entrevista ao UOL nesta segunda-feira (12). Segundo ele, o país inteiro se sentiu “enojado” com a situação.

    Haddad afirmou confiar que os envolvidos serão presos e cumprirão pena exemplar. A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) já bloquearam parte dos recursos das associações suspeitas. “Precisamos apurar o valor exato da fraude e garantir que o bloqueio cubra o montante desviado”, explicou.

    O ministro ressaltou a determinação do presidente Lula: punir os responsáveis e restituir os beneficiários afetados.

    O esquema usava centrais de telemarketing para descontar “mensalidades” nas aposentadorias e também para receber reclamações dos segurados. Uma ex-funcionária, que pediu anonimato, revelou que os idosos muitas vezes só percebiam os descontos depois que seus filhos os identificavam.

    Até a Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, as empresas Callvox e Truetrust Call Center, em Brasília, empregavam centenas de atendentes contratados no fim de 2023, período de maior incidência dos descontos irregulares.