Exército diz que atos do 7 de Setembro no Rio não têm ‘caráter político-partidário’

    Em documento, a Força afirma que as comemorações do Bicentenário da Independência são eventos "cívicos"

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    O Exército brasileiro divulgou comunicado interno aos militares afirmando que os atos a serem realizados no Rio de Janeiro “não têm qualquer caráter político-partidário”. A orientação foi divulgada dias depois do comandante Militar do Leste, general André Luís Novaes de Miranda, recomendar às tropas para não participarem de manifestações e não fazerem comentários políticos nas redes sociais no feriado de 7 de Setembro.

    O documento é assinado pelo Centro de Comunicação Social do Exército. O texto diz que as comemorações do Bicentenário da Independência são eventos cívicos, e, sendo assim, “é facultada a presença de qualquer cidadão”.

    A manifestação interna acontece depois de a CNN revelar, na segunda-feira (5), que os militares subordinados ao Comando Militar do Leste foram orientados, de forma verbal, a não participarem dos atos que estão sendo convocados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) na orla de Copacabana.

    Segundo relatos feitos à CNN, os comandantes reforçaram às tropas as determinações do Regulamento Disciplinar do Exército. O item 57 proíbe “manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária”.

    No documento divulgado nesta terça-feira (6), o Comando Militar do Leste diz não haver “qualquer determinação específica em relação à participação de militares da ativa em eventuais manifestações políticas previstas para o próximo dia 07 de setembro”, uma vez que “orientações nesse sentido seriam redundantes, tendo em vista o arcabouço legal vigente”.

    O documento traz ainda uma recomendação a respeito da divulgação de “notícias falsas”. “Ao receber ou compartilhar informações por quaisquer mídias”, o Comando “orienta que o militar busque verificar esse conteúdo, evitando assim contribuir para o fluxo de notícias falsas ou até mesmo de dados que possam difamar pessoas ou instituições”.

    “Caso não seja possível identificar ou descartar a veracidade, sugere-se não repassar o material até a sua checagem. A cadeia de comando é o canal previsto e o mais adequado para prestar quaisquer esclarecimentos”, diz o texto.