O deputado federal, Cláudio Cajado (PP-BA) afirmou nesta quarta-feira (22) que a decisão do Progressistas de não apoiar, neste momento, uma candidatura presidencial, incluindo a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), faz parte da estratégia nacional da federação União Progressista para priorizar a eleição de deputados federais em 2026.
A declaração foi dada durante a convenção estadual do União Brasil, no Centro de Convenções de Salvador, que oficializou a candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia.
Segundo Cajado, o foco da federação é ampliar sua representação na Câmara dos Deputados e no Senado antes de discutir eventual apoio a candidatos ao Palácio do Planalto.
Estratégia é fortalecer a bancada
Questionado sobre a decisão do PP de adotar neutralidade em relação à disputa presidencial, o parlamentar afirmou que a posição foi construída em consenso entre os partidos que integram a federação.
“A verdade, essa é uma posição consensualizada no União Progressista, ou seja, tanto União Brasil quanto no Progressistas. Nós temos uma estratégia e é fortalecermos as candidaturas de deputados e deputadas federais nos estados da federação.”
Segundo Cajado, a prioridade é permitir que as legendas tenham liberdade para construir alianças regionais que favoreçam a eleição de parlamentares.
“Estando o partido e a federação livres para poder coligar ou apoiar quem melhor convier para a eleição dos deputados federais, nós pensamos que seja a melhor estratégia para termos uma bancada da União Progressista robusta.”
O deputado afirmou que a expectativa da federação é eleger entre 105 e 120 deputados federais, consolidando uma das maiores bancadas do Congresso Nacional.
“Nossos cálculos podem chegar a 120 parlamentares entre membros do União Brasil e Progressistas. Obviamente, esse é o número que nós estamos trabalhando, mas pode chegar a 105 ou 110. Não menos do que isso.”
Na avaliação de Cajado, o fortalecimento da bancada dará maior capacidade de influência da federação nas decisões do Legislativo e nas negociações políticas após as eleições.
Centrão busca ampliar protagonismo no Congresso
O parlamentar também destacou que a estratégia passa pelo fortalecimento dos partidos de centro no Congresso Nacional.
“A estratégia é ter força no parlamento, na Câmara dos Deputados e podermos, ao lado de outros partidos, fortalecer a representação também no Senado Federal.”
Segundo ele, o Progressistas mantém como prioridade as eleições proporcionais, embora participe da disputa pelos governos estaduais em algumas unidades da federação, como ocorre na Bahia com o apoio à candidatura de ACM Neto.
“O Partido Progressista no Brasil se destaca basicamente nas eleições proporcionais. Obviamente que nós temos também candidatura a alguns estados, exemplo aqui da Bahia, com a candidatura do pré-candidato agora já na convenção adotada ACM Neto.”
Sucessão da Câmara ficará para depois das eleições
Cajado também descartou qualquer discussão antecipada sobre a sucessão da Presidência da Câmara dos Deputados, afirmando que o tema será tratado apenas após a definição do novo Congresso Nacional.
“Não, nós não conversamos isso. Na verdade, as conversas acontecerão após as eleições.”
Para o deputado, o tamanho das bancadas eleitas será determinante para a formação da futura base de sustentação do governo que assumir o Palácio do Planalto.
“Nós teremos uma bancada de, vamos supor, 110 deputados União Progressista. O PL vai eleger de 100 a mais. Nós temos aí o Republicanos e PSD. Então, se você colocar o conjunto de forças do centro, vai ultrapassar o número de 257, que é o número que dá a maioria na Câmara.”
Segundo Cajado, a composição do novo Congresso definirá o posicionamento político da federação em relação ao próximo governo.
“O que nós queremos? Deixar que o processo eleitoral se desenvolva, que as pessoas se manifestem através do seu voto, e a partir daí nós vamos ver qual é a conjuntura que advém das urnas.”
Hugo Motta larga na frente
Ao comentar a futura eleição para a Presidência da Câmara, Cajado afirmou que o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), aparece como um nome natural caso decida disputar um novo mandato no comando do Legislativo.
“Hoje você tem o presidente Hugo Motta lá, que é presidente da Câmara. Ele pode se manifestar de desejar ser reeleito. Como é um novo mandato, uma nova legislatura, ele tem condições de pleitear. Obviamente que ele sai já na frente.”
O deputado ressaltou, porém, que nenhuma decisão foi tomada pela federação e que eventual apoio dependerá das conversas políticas após as eleições.
“Se ele apresentar candidatura, obviamente que nós do União Progressista iremos analisar. Ele não é do nosso partido, é do Republicanos, mas é um quadro valoroso que tem muita relação com todos nós, individualmente e em termos partidários também.”

