Em carta, Jefferson fala em traição, bate no STF e sugere rompimento com Bolsonaro

    ‘Os tiranos vencem quando nos impõem a auto-censura comum aos pusilânimes’, disse o ex-deputado

    Foto: Felipe Menezes/PTB Nacional

    Por meio de carta endereçada ao diretório nacional do PTB, Roberto Jefferson ironizou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou “traidores” e, segundo dirigentes do partido, sugeriu o rompimento com o presidente Jair Bolsonaro (PL).

    “Na República há os tiranos, há os traidores, há os cruéis, esses não podem ser perdoados, sob pena de sucumbirmos em nossas fraquezas e temores”, diz trecho do documento divulgado na coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo.

    Enaltecendo a coragem, o ex-deputado afirmou ainda que “os tiranos vencem quando nos impõem a auto-censura comum aos pusilânimes”. Em prisão domiciliar por ataques às instituições democráticas, Jefferson ironizou os ministros do Supremo. “Ai meu Deus, o que o Xandão pode pensar, falar ou fazer?! Ai meu Deus, que medo do Fachin! Ai meu Deus, que medo do Barroso! Quem agir assim contaminou-se com o vírus da paúra e da covardia”, escreveu, em referência a Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin.

    Após afirmar que não há lugar no partido para “covardes e traidores”, ele disse que a sigla colocou “para correr a Jezabel loura e sua súcia de canalhas” e que “ainda há espinhos em nosso canteiro, vamos arrancá-los”. Dentro da legenda, segundo a coluna, a leitura é de que Jefferson sinaliza o rompimento com Bolsonaro.

    Em outras manifestações, ele já havia acusado a ex-presidente do partido Graciela Nienov de traição e também disse que o presidente e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, se viciaram em dinheiro público.

     

    Leia a carta na íntegra:

    O perdão aos traidores e aos tiranos resulta em perversidade aos inocentes e aos justos.

    A benevolência excessiva é covardia. Não nos é permitido o tempo todo perdoar. Pais os que assim agem levam seus filhos ao abismo, pois falta-lhes a correção e a disciplina.

    Na República há os tiranos, há os traidores, há os cruéis, esses não podem ser perdoados, sob pena de sucumbirmos em nossas fraquezas e temores.

    O medo não pode paralisar os homens, pois sua maior virtude é a coragem, sem a qual todos os seus valores fracassam.

    Os tiranos vencem quando nos impõem a auto-censura comum aos pusilânimes. Ai meu Deus, o que o Xandão pode pensar, falar ou fazer?! Ai meu Deus, que medo do Fachin! Ai meu Deus, que medo do Barroso! Quem agir assim contaminou-se com o vírus da paúra e da covardia.

    Não nos interessa no PTB uma pletora de covardes. Melhor 300 valentes do que 32 mil medrosos, foi a lição do Senhor a Gideão. Os 300 valentes de Gideão derrotaram 150 mil midianitas e amalequitas. Leônidas com 300 matou 8 mil persas no desfiladeiro das Termópilas- Portões Quentes- sendo derrotado pela traição de um dos seus.

    Não há lugar no PTB para covardes e traidores. Colocamos para correr a Jezabel loura e sua súcia de canalhas. Ainda há espinhos em nosso canteiro, vamos arrancá-los.

    “Se alguém não cuida dos da sua casa, especialmente de sua própria família, negou a fé, é pior do que o incrédulo “. 1 Timóteo 5:8

    Se não protegemos os nossos como protegeremos o povo que queremos representar? Esse é o princípio da honra. Honrar pai e mãe. Se me deixo pautar pelo vizinho contra meu lar, que homem sou?

    Covardes morrem todos os dias, morrem angustiados e aos poucos. Os heróis só morrem uma vez.

    Deus é nossa Rocha e Fortaleza.

    Nossa Força e Vitória é Jesus.