Em 2021 nem choveu tanto, mas o Natal bateu com cara de infeliz

    "Para mim tem sido uma provação. E confesso que passei o Natal muito angustiado"

    Foto: Secom/Salvador
    Foto: Secom/Salvador

     

    Lembra que logo após o verão passado o Brasil entrou numa crise hídrica que botou o preço da energia nas alturas Confere. Segundo Sosthenes Macedo (foto), o coordenador da Defesa Civil de Salvador, 2021 foi o ano com menos chuva nos últimos 29. Em compensação, o dezembro na capital baiana bateu recorde. Choveu 360,4 milímetros, 6,2 a mais que a média histórica, que é de 58,1.

    Sócrates diz não ter dúvida de que está havendo um desequilíbrio climático:

    — Óbvio. Chover tanto assim em dezembro é absolutamente fora do normal. O mar avançando… São sinais evidentes de que há algo errado.

    Sem mortes

    Sósthenes, que na Codesal monitora também outros pontos da Bahia, diz que encara um desafio pessoal: fechar 2021 sem registrar uma única morte em consequência de chuva. Está conseguindo. Em compensação, passou a noite de Natal em Castelo Branco, onde as sirenes alertando perigo foram ligadas.

    — Para mim tem sido uma provação. E confesso que passei o Natal muito angustiado.

    Na véspera do Natal, um dos filhos de Sósthenes passou no vestibular de medicina veterinária, e ele não pôde estar presente à cerimônia de ‘raspagem da cabeça’. Ontem, outro filho completou 18 anos, e teve que ir lá na Codesal dar-lhe um beijo.

    — Foi uma alegria enorme, um grande afago.

    Outro afago vem do Serviço de Metereologia. Ainda teremos umas chuvinhas, mas parece que vamos enterrar 2021 em paz.

    O lado bom

    Dizem que a dor provocada por tragédias tem o poder de unir os contrários, e também agora a história se repetiu. Rui Costa esteve sábado frente a frente com os ministros de Bolsonaro João Roma (Cidadania à frente), Marcelo Queiroga (Saúde) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), além do secretário nacional de Defesa Civil, Alexandre Lucas, de outros governadores e secretários estaduais e municipais.

    A pauta foi a articulação de ações conjuntas para ajudar as vítimas das enchentes que atingem mais de 100 municípios, já matou 20 pessoas e deixa quase 400 mil desabrigados.

    O caso ilustra um cenário bastante significativo: por que não colocar sempre o interesse público na frente sem tragédias?