
A presidente Dilma Rousseff discursou, no final da manhã desta quinta-feira (12), após ser afastada do cargo por até 180 dias pelo Senado Federal. Com um pronunciamento magoado, a petista disse que foi injustiçada, comparou o processo de impeachment à ditadura, afirmou que “a batalha não acabou” e convocou os militantes para continuar a brigar “pela democracia, pois sempre é válido”.
A mandatária afastada enumerou algumas bandeiras do seu mandato. “O que está em jogo não é apenas meu mandato, é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo e à Constituição. O que está em jogo são as conquistas nos últimos 13 anos. Os ganhos das pessoas mais pobres e da classe média. Uma proteção às crianças. Os jovens chegando à universidade e escolas técnicas. A valorização do salário mínimo. A realização do sonho da casa própria. O que está em jogo é também a grande descoberta do Brasil: o pré-sal. A oportunidade de esperança de avançar sempre mais”, listou.
Dilma acusou a oposição de ser a grande culpada pelo seu afastamento. “Desde que fui eleita, a oposição ficou inconformada, pediu recontagem dos votos, passou a conspirar pelo meu impeachment. Impediram a recuperação da economia. Com o objetivo de conquistar à força o que não conquistaram nas urnas. Sabotaram o meu governo. Venho sendo impedida de governar. Forjaram o ambiente, propício ao golpe. Quando uma presidente é cassada por um crime que não cometeu, o nome não é impeachment, é golpe”, voltou a afirmar.
Ela também se defendeu dos crimes de responsabilidade fiscal dos quais é imputada. “Não cometi crime de responsabilidade. Não há razão para o processo de impeachment. Não tenho contas no exterior, não recebi propina, jamais compactuei com a corrupção. Juridicamente, esse processo é inconsistente, injusto e fraco, contra uma pessoa honesta e inocente. É a maior das brutalidades que podem ser cometidas por qualquer ser humano. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar uma inocente. Deve ser o fato de, como presidente, nunca aceitar chantagem de qualquer natureza. Posso ter cometido erros, mas não crimes. Estou sendo julgada pelo que a lei me autorizou a fazer. Os atos que cometi foram legais, atos de governo. Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles, não é crime agora”, disse.
Torturada durante a ditadura militar de 1964, Dilma comparou o momento atual com o de 52 anos atrás. “Nesses anos, exerci meu mandato de forma digna e honrada. Honrei os votos que recebi. Em nome dos votos, vou lutar com todos os instrumentos legais para exercer o mandato até o fim. O destino sempre me reservou muitos desafios, muitos e grandes desafios. Eu já sofri a dor da tortura. Agora, mais uma vez, a dor, igualmente, inominável da injustiça. O que mais dói é a injustiça. Estou sendo vítima de uma farsa política e jurídica. Olho para trás e vejo o que fizemos. Olho para frente e vejo o que precisamos fazer. Já vivi muitas derrotas e já vivi grandes vitórias. Confesso que nunca imaginei que seria necessário lutar de novo contra um golpe no país”, afirmou.
Ao final, a presidente afastada convocou os que “não aceitam o impeachment” para irem às ruas. “Tenho certeza que a população vai dizer não ao golpe. O novo povo é sábio. Há brasileiros que se impõem contra o golpe, independente de partido. Mantenham-se mobilizados, unidos e em paz. A luta pela democracia não tem data para terminar. É uma luta permanente. A luta contra o golpe é longa e pode ser vencida e nós vamos vencer. Esta vitória depende de todos nós, vamos mostrar ao mundo que há milhões de defensores da democracia em nosso país. Eu sei que muitos aqui sabem que a história é feita de luta. Sempre vale a pena lutar pela democracia. A democracia é o lado certo da história. Jamais vamos desistir”, concluiu.
