Deputados duelam pelas barragens. Querem elas para navegar, é claro

    As comissões têm cargos preenchidos nos arranjos políticos. Vão ter que abrir espaço

    Três comissões na Assembleia duelaram ontem pela pilotagem da fiscalização das barragens baianas, um total de 426, das quais, 10, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), em risco.

    O caso: a Assembleia instalou, sob comando do deputado Eduardo Alencar (PSD), a Comissão Especial de Barragens. José de Arimateia (PRB), presidente da Comissão de Meio Ambiente, bradou que a questão era da alçada dele, que na semana passada, assim que foi empossado, aprovou a visita de uma comitiva a dez barragens.

    Questão técnica

    Palavra de José de Arimateia:

    — Para que comissão especial se a questão já é da área de meio ambiente?

    Entra Pedro Tavares (DEM), presidente da Comissão de Infraestrutura:

    — Se for por aí, a questão também é da infraestrutura.

    No frigir dos ovos, os três resolveram trabalhar em conjunto. Eduardo Alencar defendeu que a Comissão tenha apoio de técnicos especializados, Arimateia disse que já tinha agendado as visitas dos deputados.

    Com a palavra Eduardo:

    — Arimateia é pastor e eu sou médico. A única coisa que ele pode fazer é rezar para que nada aconteça. E eu, atender as vítimas, se acontecer. Óbvio que nós precisamos de apoio técnico.

    A questão final: e quem contratará os técnicos? As comissões têm cargos preenchidos nos arranjos políticos. Vão ter que abrir espaço.