CPI do Crime Organizado cancela sessão após ausência de governador do DF no Senado

    Presidente do colegiado deve converter convite em convocação após falta de Ibaneis Rocha (MDB)

    Foto: Pedro Carvalho/Agência Brasília

    A reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, prevista para ocorrer na manhã desta terça-feira (3), foi cancelada após o não comparecimento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). O gestor era esperado para abrir o ciclo de oitivas de 2026, mas enviou o secretário-executivo de Segurança Pública, Alexandre Patury, em seu lugar. 

    Diante da ausência do governador e do próprio secretário titular da pasta, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), decidiu suspender os trabalhos e anunciou que apresentará um requerimento para transformar o convite em convocação obrigatória.

    A bancada baiana exerce papel estratégico na composição do colegiado, contando com a participação titular dos senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD). Enquanto Wagner atua como uma das principais vozes da base governista na comissão, Otto integra o grupo de parlamentares que busca aprofundar as investigações sobre a estrutura e a influência das facções criminosas no território nacional, incluindo as redes de lavagem de dinheiro que podem atingir o centro político e econômico do país.

    Depoimentos dos governadores do RJ e DF

    O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), justificou a necessidade de ouvir Ibaneis devido à posição estratégica de Brasília como sede dos Poderes da República. Além das políticas gerais de segurança, os senadores pretendem questionar o governador sobre citações envolvendo o Banco Master e a proposta de aquisição pela instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo Vieira, a comissão investiga se as operações financeiras da instituição apresentam características típicas de organizações criminosas.

    Com o cancelamento da sessão desta terça (3), a agenda da CPI segue com a previsão de ouvir o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), nesta quarta-feira (4). O foco do depoimento de Castro deve ser o enfrentamento às milícias e as recentes operações letais contra facções no estado. 

    A CPI do Crime Organizado tem prazo de funcionamento até abril e busca reunir subsídios para novas propostas legislativas de combate ao crime.