Cacau busca saídas. O mapa do rumo é apoio político, ainda pouco

    Falta sensibilizar os 39 deputados federais e os três senadores baianos. Só isso

    Foto: Secom/Gov-BA
    Foto: Secom/Gov-BA

     

    Veja mais uma dessas ironias da vida. A cacauicultura, que era sinônimo de dinheiro vivo, tão vivo que era comum produtor chegar no banco e levar grana por conta da safra que ainda chegaria no ano seguinte, agora está de cuia na mão.

    Em torno de 11 mil produtores devem a bancos mais de R$ 1 bilhão, o que, ‘sem as gorduras’, segundo Milton Andrade, do Sindicato Rural de Ilhéus, fica em torno de R$ 600 milhões, a herança maldita da vassoura de bruxa.

    Resultado: agora, quando a cacauicultura vislumbra novos tempos, como a produção de cacau fino, não tem como andar por falta de dinheiro.

    Questão politica

    E ainda há um detalhe, como ressalva Rui Souza, ex-prefeito de Wernceslau Guimarães e também produtor:

    — Mesmo quem não deve não tem dinheiro. A gente chega lá e dizem que para o cacau não há crédito.

    Esse painel foi traçado ontem na Comissão de Agricultura, que reuniu produtores e representantes governamentais para discutir a problemática. E qual a saída?

    Fala Milton Andrade:

    — O apoio político para as entidades que representam os produtores. Isso nos falta.

    Segundo ele, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) tem uma proposta de reduzir a dívida histórica em 95%, ou seja, ficar apenas 5%, e reabrir o crédito.

    Falta sensibilizar os 39 deputados federais e os três senadores baianos. Só isso.