Briga de Rui e Neto pelas encostas, o presente que Salvador tanto quer

    Que eles briguem mais. Salvador agradece

    Foto: Carla Ornelas/ GOVBA
    Foto: Carla Ornelas/ GOVBA

     

    Terra corre e mata gente nas ribanceiras de Salvador desde que Thomé de Souza aqui chegou. Aliás, quando a cidade estava sendo construída, ali nas cercanias da Praça Municipal, o barro rolou. Em 1609 a capital baiana era uma cidadezinha de 15 mil habitantes, veio a primeira das grandes tragédias: 15 mortos.

    No início da década de 1980 o problema se agravou. Uma grande migração do interior para os grandes centros urbanos explodiu a população. E o problema.

    Hoje, 470 anos depois da chegada de Thomé, Salvador tem mais de 600 áreas de risco e a cada dia aparecem outras. Rui Costa identificou, via PDDU, 104 áreas de risco ou alto risco. Já fez 50, tem mais uma dezena em andamento. Neto já botou 152 geomantas, e montou um Centro de Monitoramento na Codesal que inclui 38 pluviômetros e oito sistemas de alerta de perigo.

    Tempo novo

    É aí que está. As encostas já protagonizaram tragédias memoráveis pelas cenas escabrosas. A comoção é geral, mas ao longo da história só trabalhos pontuais, como nas gestões de Fernando José e Antonio Imbassahy.

    Rui e Neto começaram brigando para ver quem faz mais e inauguraram um tempo novo. Investir em encosta virou política pública continuada. Daí que muita gente está viva graças a isso, com a vantagem de que nem os beneficiários sabem e nem eles sabem quem são os tais. Que eles briguem mais. Salvador agradece.