Balas de gengibre, piadas e terrorismo: brincando com fogo

    Temos tido muito mais facilidade de assimilar as práticas ruins que maculam a civilidade do planeta do que as boas

    Frase da vez

    “O desespero é o suicídio do coração”

    Jean Paul Ritchter, escritor alemão (1763-1825)

    (Foto: Divulgação/SSP).
    (Foto: Divulgação/SSP).

     

    Oxalá que tudo corra bem nas Olimpíadas. A imprensa internacional sempre lembra que o Brasil não tem traquejo em lidar com os infelizes do terror. E isso seria um atrativo para tornar a terra amada palco de tais desatinos, já que cá estarão alvos de todos os matizes.

    O caso dos dez simpatizantes do Estado Islâmico presos pela PF e de Frank Oliveira, o bacharel em direito que se encheu de balas de gengibre para fingir que eram explosivos e aterrorizou o exame da OAB, foram motivos de muitas piadas, na internet e no dia a dia.

    Ainda bem que a polícia, nos dois casos, levou a sério. Serviram mais como ensaio, vá lá, mas o brasileiro não deveria rir. É como brincar com fogo.

    Afinal, é bom lembrar duas coisas: um dos grandes problemas da sociedade brasileira hoje é o galopante crescimento da criminalidade, especialmente dos homicídios. Matar virou coisa banal, os índices só fazem subir, nos dando a sensação de que o estado está perdendo a briga.

    E por aí, o pior: temos tido muito mais facilidade de assimilar as práticas ruins que maculam a civilidade do planeta do que as boas.

    Balas de gengibre são coisas nossas. Vamos torcer para ficar nisso.

    Made in Brazil

    O primeiro vexame brasileiro na Olimpíada foi com a delegação da Austrália, que se deparou com prédios cheios de água e infiltrações por todos os lados.

    Pior foi o prefeito do Rio, Eduardo Paes. Ao invés de envergonhar-se e pedir desculpas, fez piadinhas dizendo que ia botar uns cangurus lá.

    Que moral um governante desses tem para falar de quem faz galhofa das balas de gengibre?

    Triste Brasil.

    O jegue elétrico

    As regras para a propaganda eleitoral na internet (começa em 16 de agosto), divulgadas ontem pela Justiça Eleitoral, com base na Lei 9.504/97, têm alguns detalhes curiosos.

    Há algumas coisas positivas, vá lá.

    Quem contratar terceiros para insultar candidatos ou partidos, por exemplo, uma prática comum no mundo virtual, pode se dar mal. A punição inclui cadeia de dois a quatro anos para o contratante e o contratado, além de multa de R$ 5 mil a R$ 15 mil.

    Mas há também os absurdos. Exemplo: é proibido pedir voto explicitamente. Do jeito que a coisa vai, ainda teremos eleições com os candidatos mudos.

    Mas, internet à parte, a lei eleitoral como um todo tem muitas brechas que podem render boas piadas. Começa pelo modelo de financiamento. A tradição política no Brasil é o povo pedir dinheiro aos candidatos e, agora, a lei pretende inverter, que o povo dê.

    Mas a melhor mesmo é a do jegue. Se você botar um som em cima de um jumento, tem que declará-lo como carro de som.

    É o jegue elétrico, como chamam.

    Ordem unida

    Em Camaçari, o mais importante município da Região Metropolitana de Salvador, a oposição se uniu. Hoje, será anunciada a chapa com o vereador Antônio Elinaldo (DEM) e o ex-prefeito José Tude (PMDB) na vice.

    A articulação foi orquestrada por ACM Neto sexta e carimbada por Geddel domingo.

    A convenção da dupla será quinta. Neto e Geddel vão lá.

    Em Morro do Chapéu

    Após muita pendenga jurídica, finalmente foi divulgada a pesquisa da Tecnodados, em Morro do Chapéu: Leo Dourado, prefeito, e Juliana Araújo (filha do deputado José Carlos Araújo), vice, lideram com 62,20%, contra 26,90% de João Humberto (PSD), o Beto.

    Os adversários de Araújo queriam barrar a divulgação, a justiça liberou.

    (Foto: Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados).
    (Foto: Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados).

     

    Mistério em Belmonte

    O deputado Jânio Natal (PTN) fez muito mistério para anunciar hoje a chapa que ele apoiará em Belmonte, terra dele.

    O candidato do grupo era Janival, irmão de Jânio, mas o ex-prefeito Iêdo Elias (PP) vem pontuando bem e pode entrar na briga.

    Jânio já foi prefeito lá e em Porto Seguro. Os dois municípios estão na expectativa.

    Gil na briga

    A cantora Gilmelândia decidiu tentar um mandato de vereadora na Câmara de Salvador. Entra na disputa pelo PR. Historicamente, as incursões de artistas pelas urnas não são lá muito animadoras.

    Até hoje só Gilberto Gil se elegeu vereador.

    Joseph se complica

    Joseph Bandeira (SD) tentou na Justiça derrubar a decisão que o mantém inelegível, sem sucesso. Mesmo assim, se diz candidato a prefeito de Juazeiro, mandato que ele já exerceu duas vezes.

    O deputado Roberto Carlos (PDT), amigo de Josep, está na espera.

    – Se ele não for, eu quero o apoio dele. E acho que terei.

    (Foto: Elói Corrêa/GOVBA).
    (Foto: Elói Corrêa/GOVBA).

     

    SOS Roberto Santos

    O Hospital Roberto Santos realiza de hoje a sexta uma campanha de doação de sangue. Ganhou como reforço o apoio dos artistas Ju Moraes, Pierre Onassis, Gilmelândia, Kart Love, Alex Maxx e Maylssonn (ex-The Voice).

    O HRS precisa de uma média de 15 bolsas por dia e só tem 10. Por isso vem sucessivamente remarcando cirurgias.