Arrastão das Cinzas jé é um furdunço nas ruas. Caballal criou outro no tititi

    "Quem quiser fazer arrastão vá para a Segunda-Feira Gorda da Ribeira, ou para a Lavagem de Itapuã"

    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

     

    Historiador de formação, o vereador Henrique Carballal (PV) foi buscar lá nos cafundós da história a justificativa para apresentar e aprovar o projeto que proíbe o ‘Arrastão da Quarta Feira de Cinzas’, inventado por Carlinhos Brown, no circuito Barra-Ondina, hoje point top do Carnaval de Salvador.

    Diz ele que a Páscoa foi definida no Concílio de Nicéia (Turquia), no ano 325, ou 1.619 anos atrás, quando o governante da área era o imperador romano Constantino I. E o carnaval é também uma festa católica, integrante do pacote da Páscoa, tanto que, por isso, como as demais festas católicas, à exceção do Natal, não tem data fixa.

    Segunda Gorda

    Mas o Estado não é laico? E explica ele:

    — É laico, mas reconhece o catolicismo como a religião da maioria, tanto que os dias de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e Corpus Christi são feriados nacionais. E o Carnaval é uma festa religiosa, só existe quaresma porque existe Carnaval. Invadir a Quarta de Cinzas virou desrespeito. Quem quiser fazer arrastão vá para a Segunda-Feira Gorda da Ribeira, ou para a Lavagem de Itapuã.

    O fato objetivo é que na Câmara, os vereadores Marcos Mendes (PSOL) e César Leite (PSDB) votaram contra, Joceval Rodrigues (Cidadania), tido como líder católico, se ausentou, e Sílvio Humberto (PSB) se absteve. E a polêmica está aí.

    Na Barra, moradores se dividem, a maioria a favor, ao que parece. E ACM Neto, o prefeito, vai sancionar ou vetar? Fala Carballal:

    — Acho que ele vai ter dificuldades em vetar.

    Vamos esperar para ver no que o novo furdunço vai dar.