O impasse entre o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e vereadores da oposição sobre as obras da Escola do Curralinho, unidade voltada para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), continua aquecido.
Em entrevista exclusiva ao bahia.ba nesta quarta-feira (22), a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) cobrou o gestor sobre uma suposta narrativa falsa a respeito do andamento das obras, que seguem em atraso.
“Não entendo porque o prefeito permanece criando narrativas falsas sobre essa obra. Eu estive lá na segunda-feira às 10h da manhã”, declarou Aladilce em resposta ao prefeito. Na terça-feira (21), Bruno acusou a oposição de visitar o local no horário do almoço.
“A empresa já foi contratada, precisa faturar para receber no final do mês. Estão trabalhando. Vocês vão lá na hora do almoço e querem contestar a quantidade de gente que tem lá?”, questionou Bruno Reis durante inauguração de encostas no bairro Alto da Terezinha, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana.
Aladilce revelou para a reportagem que conversou com o responsável pela construção no local. Para a vereadora, o homem teria afirmado que não sabia quando as obras seriam retomadas.
“Pela fresta do tapume consegui chamar um senhor que me pareceu o responsável pela obra. Este não me permitiu a entrada e me informou que os poucos trabalhadores que estavam lá faziam a limpeza e organizavam o local, mas que não sabia quando a obra seria retomada. Não gravei a fala dele para evitar exposição”, revelou.
“O prefeito falou que a obra estava “a todo vapor” mas a verdade é que não havia vapor nenhum!”, concluiu a vereadora.
Situação da Escola do Curralinho
A construção da escola, prometida inicialmente para 2023, já acumulou um investimento de R$ 12,5 milhões. O prefeito explicou que o atraso na entrega foi provocado por um problema estrutural imprevisto no terreno, o que gerou um aditivo financeiro no limite legal e forçou a troca de contratos.
“Quando fomos executar a obra, tinha um problema grave de fundação. Só a nova fundação consumiu os 25% de aditivo. A empresa foi ao limite máximo e não conseguiu concluir a obra. Nós tivemos que rescindir o contrato e relicitar. A mesma empresa ganhou a licitação e vai concluir”, explicou Bruno.
Para a conclusão dos serviços pendentes, a Prefeitura assinou um novo contrato de R$ 6 milhões com a mesma empreiteira. Bruno Reis garantiu que a gestão municipal vai cobrar o cumprimento do cronograma e que a obra está sendo custeada integralmente pelo município.
“Tem um prazo contratual para ser cumprido, em seis meses. Se a empresa não performar, a gente vai tirar e vai botar outra. Se performar, a gente vai pagar. O interesse da empresa é concluir a obra. O que incomoda os nossos adversários é que é com recurso próprio da prefeitura”, concluiu.

