Frase da vez
“Não há poder maior no mundo que o do tempo: tudo sujeita, tudo muda, tudo acaba”
Padre Antônio Vieira, filósofo, escritor e orador português que morava em Salvador (1608-1697).

Marcelo Nilo (PSL), presidente da Assembleia da Bahia nos últimos dez anos, distribuiu nota ontem assumindo que vai tentar disputar o sexto mandato. Ou seja, é candidato a reeleição mais uma vez.
O anúncio, a dois meses da eleição, tem a ver. O deputado Ângelo Coronel, com respaldo dos colegas de partido, o PSD, comandado por Otto Alencar, e Luiz Augusto, de João Leão, dizem que estão no páreo. E para ele, Marcelo, está em jogo muito mais que a presidência, é o futuro dele.
A questão: Marcelo é um dos deputados mais antigos da casa, tem sete mandatos, só superado por Reinaldo Braga (PR) e Jurandir Oliveira (PSL), que têm nove cada.
No quinto mandato, assumiu a presidência. Era o primeiro governo de Jaques Wagner, ficou no segundo e mais uma vez reelegeu-se no começo da era Rui Costa. Está lá até hoje, lá se vão dez anos. Simplesmente ele sabe que agora, se voltar a ser deputado comum, chega em 2018 como mais um, sem cacife para brigar por uma vaga na chapa majoritária, a disputa do Senado, por exemplo.
E é aí que o bicho pega.
Fala-se na Assembleia que das duas vagas para o Senado uma é de Jaques Wagner. A outra, a que Nilo almeja, também teria candidato, o vice-governador João Leão, do PP,
Mas a turma contra Nilo diz ser um absurdo alguém permanecer 12 anos presidente e que ao longo do tempo ele acumulou tanto poder que praticamente manda em todos os cargos importantes da casa.
Marcelo Nilo simplesmente diz:
— Sou candidato atendendo a pedidos de mais de 40 colegas.
A eleição ainda é fevereiro, mas o rolo está armado.
Coronel na briga
Aliado do senador Otto Alencar, o deputado Ângelo Coronel afirma que já votou em Marcelo cinco vezes e tem crédito.
— Agora quero o voto dele. Só abro se ele apoiar Adolfo Menezes’.
Adolfo também é do partido de Otto e amigo pessoal de Marcelo.
— O problema é que Marcelo não aceita outra conversa que não seja com ele na cabeça.
Luís Augusto
O deputado Luís Augusto, do PP, também se coloca como candidato, mas avalia-se que não tem chances.
A questão: em tese, ele é do PP, partido de João Leão, governista, mas é sobrinho de Nilo Coelho, que é do PSDB.
Em suma, é mais Nilo do que governo.
Destaques
Marcelo Nilo (PSL) com 21 votos, Adolfo Viana (PSDB) com 14, Hildécio Meirelles (PMDB) com 13 e Alex da Piatã (PSD) com 11 foram eleitos ontem pelos jornalistas que cobrem a Assembleia como os Destaques de 2016. A entrega dos prêmios será dia 19.

