8/1:CPMI quer explicações de Wassef sobre como comprou Rolex mesmo endividado, diz Estadão

    Parlamentares dizem que matéria do Estadão reforça indícios de que o advogado de Bolsonaro estaria envolvido em uma tentativa de golpe de estado

    Foto: Pedro França / Agência Senado

    De acordo com uma reportagem do Estadão, parlamentares da CPMI do 8 de Janeiro querem explicações sobre como Frederick Wassef, advogado do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), recomprou relógio Rolex de mais de R$ 300 mil vendido por apoiadores do ex-mandatário do Brasil, mesmo estando endividado. Conforme uma apuração realizada pelo Estadão, Wassef acumula R$ 66 mil em dívidas que envolvem condomínio, impostos e até multa de trânsito.

    Aina segundo o Estadão, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) afirmou que a CPMI já queria ouvir o advogado pelo seu envolvimento no escândalo das joias recebidas por Bolsonaro enquanto ocupava a presidência e vendidas no exterior. No entanto, a expectativa da senadora é de que a matéria do Estadão deve acelerar a convocação de Wassef.

    O deputado Rogério Correia (PT-MG) concorda com a senadora e afirmou que a matéria reforça a necessidade de o presidente [da CPMI, Arthur Maia (União-BA)] colocar em votação os requerimentos. Atualmente, já há seis requerimentos que pedem a convocação de Wassef como testemunha no âmbito da CPMI do 8 de Janeiro, além de três pedidos de quebra de sigilo – todos na esteira da operação da Polícia Federal contra a venda de joias, deflagrada em 11 de agosto. Tanto para a senadora quanto para o deputado, a movimentação financeira de Wassef faz parte do que chamam de um “projeto de golpe de Estado”, que envolveria todo o esquema das joias.

    A senadora ainda afirmou que os parlamentares estão analisando que ‘muito dinheiro que transitou nesses últimos meses, principalmente após o segundo turno, foi para financiar o golpe de estado, que não é uma brincadeira’e completou que as últimas revelações feitas pela Polícia Federal no celular do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que apontam o envolvimento de militares da ativa, abriu “um gancho para a CPMI investigar”.

    Cid foi preso no início de maio, suspeito de fraudar cartões de vacinação da covid-19, mas a investigação levou a descobertas de seu envolvimento em outras frentes, inclusive nas tentativas de um suposto golpe de Estado e no desvio das joias do ex-presidente. Ainda segundo o Estadão, o deputado Rogério Correia acusa a movimentação de Wassef, assim como a de Cid e de outras pessoas próximas de Bolsonaro, de não terem como objetivo apenas o enriquecimento ilícito, mas também o financiamento de um suposto golpe.