
Estudantes da Escola Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Uauá, criaram um dispositivo para monitorar a qualidade do ar e ajudar proteger os colegas de problemas respiratórios.
O município de Uauá fica no sertão da Bahia, região de clima semiárido, marcado por altas temperaturas e pela baixa umidade do ar. Esses e outros fatores ambientais impactam diretamente estudantes com questões de saúde como asma, alergias e crises gripais.
Foi a partir dessa observação que Josias, de 14 anos, Artur, de 14, e Vitor Ramon, de 15, então alunos do 9º ano, criaram o Clima Tech. Atualmente, o projeto segue sendo aprimorado pelos estudantes Henrique Ribeiro Leal, de 13 anos, e Ana Cllara Ribeiro dos Santos, de 15, ambos do 8º ano A.
“Percebemos que alguns alunos passavam mal ou apresentavam mais desconforto em dias muito secos. A partir disso, começamos a pesquisar formas de identificar essas condições e pensamos em criar uma ferramenta simples que pudesse ajudar toda a escola”, explicou o estudante Henrique Ribeiro Leal.
A construção do equipamento envolveu pesquisa bibliográfica, observação do ambiente escolar e testes práticos com componentes eletrônicos, sensores de temperatura e umidade, cabos jumpers, display LCD e LED.
O dispositivo desenvolvido pelos alunos utiliza sensores conectados à plataforma Arduino para medir temperatura e umidade do ambiente. Os dados são exibidos em um display LCD, permitindo que estudantes e professores acompanhem as condições da sala de aula em tempo real.
O diferencial do sistema está em um mecanismo de alerta visual. Sempre que a umidade do ar fica abaixo de 30% ou ultrapassa 70%, um LED é acionado, sinalizando condições que podem favorecer o agravamento de problemas respiratórios. A partir desse aviso, os usuários podem adotar medidas preventivas, como o uso de máscaras ou o afastamento temporário do ambiente.
Para Ana Clara Ribeiro dos Santos, o projeto demonstra como a tecnologia pode ser utilizada para solucionar desafios reais da comunidade escolar. “Foi muito interessante participar de algo que pode ajudar outras pessoas. Aprendemos sobre programação, sensores e eletrônica, mas também entendemos a importância de usar esse conhecimento para cuidar da saúde e do bem-estar dos colegas”, afirma.
Além de monitorar as condições ambientais da sala de aula, o Clima Tech também contribui para ampliar a conscientização sobre a importância da qualidade do ar e seus impactos na saúde. O projeto incentiva estudantes a compreenderem melhor fatores ambientais que influenciam o cotidiano e reforça o papel da escola como espaço de construção de soluções para desafios coletivos.
Segundo a equipe pedagógica da unidade, a experiência fortalece o protagonismo estudantil ao demonstrar que jovens podem atuar diretamente na identificação de problemas e no desenvolvimento de alternativas acessíveis para resolvê-los.
“O Clima Tech nasceu da observação dos próprios estudantes sobre uma situação que afetava o cotidiano escolar. Eles conseguiram transformar essa preocupação em uma solução tecnológica simples, acessível e extremamente relevante para a promoção da saúde. É um exemplo de como a educação pode estimular inovação com propósito social”, destaca a orientadora educacional do laboratório 7.0 do Sistema de Ensino Dulino, Thayza Vieira.
