Acusado de ‘comprar’ colegas, vereador afirma ter assinado papel em branco

    Na sessão de eleição da Câmara, San de Paulista (PDT) foi acusado de receber e distribuir R$ 40 mil; o denunciante apresentou à polícia a cópia de um documento que comprovaria o crime

    Foto: Reprodução

    Uma denúncia de compra de votos para eleição da presidência da Câmara Municipal de Ipiaú, no Sul baiano, envolve o vereador Alessandro Moreira de Jesus, o San de Paulista (PDT), que diz ser vítima de calúnia de um “funcionário fantasma” da Casa.

    Ao bahia.ba, nesta quarta-feira (22), o pedetista, que acabou eleito em uma sessão conturbada no dia 9 de agosto, afirmou que o documento apresentado contra ele, que comprovaria o crime, não é verdadeiro e pode ter sido “forjado” de duas formas: ou a assinatura é falsa, ou o papel “utilizado” foi assinado em branco por ele “há dois anos ao lado do presidente [da Câmara] em uma situação […] que não tem nada a ver com eleição”.

    O caso foi registrado na delegacia local pelo vereador no dia 10 de agosto. Herbert Emanoel Campos, que acusou o político de receber R$ 40 mil para “comprar” os votos de sete colegas foi intimado, prestou depoimento e afirmou à polícia que foi movido pela “emoção” quando fez a revelação durante a plenária.

    Cópia do documento apresentado por Herbert Emanoel Campos contra o vereador San de Paulista
    Cópia do documento apresentado à polícia por Herbert Emanoel Campos contra o vereador San de Paulista

     

    Ao se apresentar ao delegado Rodrigo Fernando de Souza, que apura o caso, Herbert entregou a cópia do suposto documento em que San de Paulista admitiria receber o valor, estabelece a destinação da quantia e o compromisso dos integrantes do núcleo político de oposição de “destruir as referidas declarações (sic) e que nenhuma delas sejam usadas para prejudicar qualquer membro do grupo”.

    O pedetista também argumentou que, na “declaração”, seu sobrenome está errado (“da Silva” ao invés de “de Jesus”). Ele também cobra que o denunciante apresente a versão original.

    Herbert é pai de Herbert Emanoel Campos Júnior, funcionário da Câmara, mas, de acordo com San de Paulista, atua no lugar do filho como servidor “fantasma”. A reportagem não conseguiu falar com o citado.

    Os demais edis acusados de participação no esquema já foram ouvidos pela polícia e o vereador San de Paulista realizou exame grafotécnico na tentativa de comprovar não ser o autor da assinatura do documento.

    O bahia.ba também tentou contato com o delegado, mas, segundo o atendente, ele esteve ausente durante toda a manhã, em diligência.