Justiça criminal arquiva denúncia de racismo contra atleta Ramirez

    'Não restou demonstrada a prática do crime', afirmou o juiz criminal Marcel Laguna Duque Estrada

    Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

    A denúncia de racismo feita pelo meia Gerson do Flamengo contra o meia colombiano Juan Ramirez, do Bahia, foi arquivada pelo juiz Marcel Laguna Duque Estrada, da 36ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. O arquivamento do caso, investigado na Delegacia Especial para Discriminação Racial, atendeu a pedido do Ministério Público.

    Em 20 de dezembro, após a partida entre as duas equipes pelo Campeonato Brasileiro, Gerson afirmou em entrevista que durante o jogo Índio Ramirez teria dito para ele a frase ‘cala boca, seu negro’. A denúncia foi investigada nas esferas criminal e esportiva, na qual também foi arquivada.

    O promotor de Justiça do MP do Rio, Alexandre Themístocles, justificou arquivamento depois de analisar as provas produzidas no inquérito.O promotor do MP relata que Bruno Henrique e Natan, do Flamengo, disseram não ter ouvido a ofensa racista, assim como os membros da arbitragem e o então técnico do Bahia, Mano Menezes.

    O promotor também cita laudo pericial – além recursos tecnológicos com as câmeras de campo – de perito oficial do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, que “não indica a ocorrência da agressão verbal noticiada por Gerson Santos da Silva. A prova técnica tão somente degrava trecho de entrevista e diálogos entre o atleta Gerson e o treinador Luiz Antonio Venker (Mano) Menezes”.

    Para o juiz criminal, o crime de racismo é transeunte, ou seja, não deixa vestígios. “Por isso, a palavra do ofendido é de grande relevância. Entretanto, no caso em tela, a afirmação do jogador Gerson é completamente dissociada do conjunto probatório”. “Não restou demonstrada a prática do crime”, concluiu. Com informações do GE.