
Muito antes das atuais janelas de transferências e das negociações milionárias do futebol moderno, o Bahia tentou uma contratação que parecia improvável até para os padrões da época. Em 1963, o clube apresentou uma proposta para contar com ninguém menos que Mané Garrincha, um dos maiores jogadores de todos os tempos.
A história foi relembrada pelo Esquadrão de Aço nesta terça-feira (9), em publicação nas redes sociais. A curiosidade veio acompanhada de uma reprodução de jornal da época com uma manchete direta: “Bahia quer Garrincha”.
O interesse tricolor surgiu em um momento especial da trajetória do atacante. Poucos meses antes, Garrincha havia sido um dos protagonistas da campanha que garantiu ao Brasil o bicampeonato mundial no Chile, em 1962.
Com Pelé lesionado durante a competição, o camisa 7 assumiu papel decisivo e consolidou seu nome entre os maiores ídolos da Seleção Brasileira.
O plano do Bahia
Naquele período, o Bahia também vivia uma fase de destaque no cenário nacional. O clube havia conquistado o pentacampeonato baiano (1958, 1959, 1960, 1961 e 1962) e seguia em disputa na Taça Brasil, principal competição nacional da época.
Classificado para as fases decisivas do torneio, o então presidente Osório Vilas Boas buscava reforços para aumentar as chances do Tricolor na competição. Foi nesse contexto que surgiu a tentativa de contratar Garrincha.
Segundo os registros da época, a proposta enviada ao Botafogo previa o empréstimo do jogador por um período de 90 dias. O pedido foi encaminhado diretamente à diretoria do clube carioca, que ficou de analisar as condições antes de apresentar uma resposta.
A negociação, no entanto, não avançou. Garrincha permaneceu no Botafogo e nunca chegou a vestir oficialmente a camisa do Bahia.
Veja a manchete:

Vice-campeonato diante do Santos de Pelé
Mesmo sem contar com o craque histórico da Seleção Brasileira, o Bahia seguiu sua trajetória na Taça Brasil de 1963 e alcançou a decisão da competição.
Na final, o adversário foi o Santos de Pelé, que vivia uma das fases mais vitoriosas de sua história. A equipe paulista ficou com o título e conquistou seu terceiro campeonato nacional consecutivo (1961, 1962 e 1963).
O desfecho impediu o segundo título brasileiro do Bahia, que quatro anos antes havia entrado para a história ao conquistar a Taça Brasil de 1959 justamente diante do Santos de Pelé, sob a gestão de Osório Vilas Boas.
Mais de seis décadas depois, a negociação frustrada permanece como uma das curiosidades mais inusitadas da história do clube: a tentativa de levar para Salvador um jogador que acabara de se tornar bicampeão mundial e que hoje é lembrado como um dos maiores nomes que o futebol já produziu.

