Bahia é contra proposta de banco para antecipar receitas da Libra; entenda

    Oferta prevê antecipação de 5% das arrecadações de TV por 15 anos

    Foto: Letícia Martins / EC Bahia

    Os clubes que integram a Libra analisam uma proposta do Banco Daycoval para antecipar parte das receitas futuras de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. A oferta permite adesão individual, sem necessidade de consenso entre os integrantes do bloco — cenário que expõe posições diferentes entre os clubes, inclusive com o Bahia entre os que resistem ao modelo.

    A oferta prevê a liberação imediata de recursos em troca de 5% das cotas de televisão por 15 anos. Diferentemente de investidas anteriores no mercado, o modelo não exige a adesão de todos os integrantes do bloco para ser executado. Cada clube pode decidir individualmente se aceita ou não a antecipação.

    Pelo desenho apresentado, trata-se de uma operação estritamente financeira. Os clubes receberiam agora e devolveriam ao banco ao longo dos anos com base nos valores que terão a receber de emissoras como a TV Globo e outros detentores de direitos. Não há cessão de gestão, propriedades comerciais ou ingerência administrativa.

    Bahia entre os resistentes

    Segundo a apuração do jornalista Rodrigo Capelo, Bahia, Flamengo, Palmeiras e Red Bull Bragantino aparecem como os mais resistentes à proposta. No caso do Tricolor de Aço, o suporte financeiro do Grupo City reduz a necessidade de buscar liquidez imediata no mercado.

    A lógica é simples: sem pressão de caixa, não há motivo para comprometer receitas futuras.

    Já clubes como Grêmio, Santos e São Paulo vivem cenário econômico mais delicado e tendem a avaliar a proposta com maior atenção.

     

    Foto: Reprodução / Redes Sociais

     

    Vitória já optou por outro modelo

    Embora tenha integrado a Libra, o Vitória seguiu um caminho diferente meses atrás. O clube migrou para o bloco da Futebol Forte União (FFU) e fechou acordo com investidores coordenados por LCP e XP para vender 15% de suas receitas por 50 anos.

    A diferença central entre os modelos é estrutural. Na FFU, foi criado um condomínio que reúne clubes e investidores e que passa a gerir o negócio de mídia no período acordado. Na proposta que circula na Libra, a relação é apenas financeira, sem qualquer interferência na administração.

    A oferta do Daycoval também se distancia da proposta feita anteriormente pelo fundo Mubadala, que buscava participação por 50 anos e envolvia presença ativa na futura liga. Naquela ocasião, a negociação travou justamente por falta de consenso entre os clubes.

    Agora, a possibilidade de adesão individual facilita a execução do negócio, mesmo que parte relevante dos integrantes decida ficar de fora.