A sequência de um dos clássicos dos anos 2000, O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30). O novo filme aposta na nostalgia para se conectar com o público, mas cai na mesmice ao retratar os mesmos dilemas apresentados há duas décadas, no entanto consegue surpreender em muitos momentos.
Andy Sachs e (novamente) o drama profissional
Logo de início, o filme traz uma maiores dúvidas para quem assistiu ao primeiro filme: Qual rumo a carreira da adorável Andrea ‘Andy’ Sachs, interpretada por Anne Hathaway, tomou após a passagem conturbada (e também amadurecedora) na icônica Revista Runway? Bem, a resposta pode não ser animadora.
Vinte anos depois e com uma carreira de sucesso no jornalismo com inúmeros prêmios e bagagem profissional, Andy Sachs vê a necessidade de retornar à Runway para salvar o pescoço do desemprego. O novo roteiro bebe da mesma fonte do anterior, soando repetitivo e até mesmo incoerente.
Outro ponto negativo é a necessidade que Andy apresenta a todo instante pela aprovação de Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep, essa conquistada há vinte anos. A personagem parece ter regressado, retornando à estaca zero e contradizendo a sua própria trajetória.

Glamour, mas nem tanto
Um dos temas centrais de O Diabo Veste Prada eram os figurinos incríveis de grifes renomadas que se tornaram “palpáveis” com a mudança radical de estilo de Andy Sachs. Desta vez, a moda parece não ser algo tão central como no primeiro filme, não possuindo o mesmo glamour e destaque.

Miranda Priestly mudou (e que bom)
O filme também possui pontos muito positivos. O roteiro ao mesmo tempo que volta ao passado consegue trazer de forma muito didática as mudanças sofridas no mercado editorial. Se antes a Runway vivia a era de ouro, agora, vemos como a revista consegue se manter diante dos novos hábitos de consumo, que atingem diretamente a editora-chefe, Mirando Priestly, o que faz todo o sentido.
Nesta versão, temos uma Miranda menos imponente que antes, agarrando-se ao que foi no passado, mas que consegue se adaptar aos impactos negativos sofridos na revista. Agora, a “dama de ferro” não é a última a dar a palavra, sendo até confrontada ao apresentar algumas resistências à modernização.
A reviravolta que o filme traz também é muito bem construída, mesmo que peque em trazer Andy Sachs como uma subserviente de Miranda e não o tratamento de “igual para igual”, o que faria muito mais sentido.

Trilha Sonora
Vale uma menção honrosa à trilha sonora de O Diabo Veste Prada. Se, em 2006, o destaque ficou com a icônica “Vogue”, de Madonna, desta vez quem assume o protagonismo é a faixa “RUNWAY”, interpretada por Lady Gaga em parceria com a rapper Doechii.
A música não alcança o mesmo impacto de um dos maiores sucessos da carreira de Madonna, mas ainda assim encontra seu espaço e cumpre bem o papel dentro do filme. A trilha sonora inclui também canções de U2, Alanis Morissette, SZA e Olivia Dean.

Nostalgia
“O Diabo Veste Prada 2” é um filme que vai agradar, principalmente, fãs que buscam a nostalgia que a nova versão oferece, mas, para aqueles que querem ter um olhar mais crítico, o longa pode não agradar tanto, mas não deixará de ser um filme divertido e envolvente para se assistir.

