Exposição que reúne fotografias de rituais dedicados a Exu chega a Salvador

    Mostra inédita no Brasil reúne fotografias sobre rituais dedicados a Exu e marca abertura do espaço Pé de Cobra

    Foto: Divulgação
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    Salvador recebe a exposição inédita no Brasil Meia-Noite na Encruzilhada, já disponível. A mostra será aberta ao público no espaço Pé de Cobra (@pedecobra.lab), localizado na Rua do Bispo, 35, no Centro Histórico, no coração do Pelourinho.

    Com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, a iniciativa conta com apoio institucional do Instituto Cervantes Salvador e apresenta imagens de rituais dedicados a Exu, entidade central nas religiões de matriz africana, associada ao movimento, à comunicação e às encruzilhadas.

    Com fotografias realizadas ao longo de três anos, a mostra percorre territórios como Benim, Cuba, Brasil e Haiti. As imagens são assinadas pela espanhola Cristina De Middel, um dos principais nomes da fotografia contemporânea internacional, e por Bruno Morais, cuja trajetória é marcada por uma abordagem documental e poética voltada ao imaginário popular e aos direitos humanos.

    “Entre registros de rituais e construções visuais que dialogam com o mito, a exposição se inscreve no intervalo entre o visível e o oculto, propondo ao público uma experiência que atravessa narrativa, espiritualidade e imaginação”, destaca Cristina De Middel.

    Apresentado inicialmente no festival Rencontres de Arles, em 2018, o projeto já passou por cidades como Barcelona, Cidade do México e Bogotá. Sua chegada a Salvador carrega um simbolismo especial. “Após passar por diferentes países, chegar a Salvador, com tudo o que esta cidade representa, torna-se particularmente significativo”, afirma Bruno Morais.

    A exposição marca ainda a abertura do Pé de Cobra, iniciativa que passa a integrar o circuito cultural da cidade com a proposta de ser um espaço voltado à experimentação e à reflexão em torno da imagem.

    Instalado em um imóvel histórico, o projeto ocupa um prédio que, entre as décadas de 1960 e 1990, funcionou como estrutura de fiscalização do comércio ambulante, conhecido popularmente como “Rapa”. Após cinco anos de obras, o local foi ressignificado como um centro dedicado à produção e ao pensamento visual, com ambientes que incluem sala expositiva, biblioteca especializada e laboratório fotográfico.

    A mostra integra o conceito “A Esquina”, eixo curatorial que orienta as atividades do Pé de Cobra ao longo de 2026 e que deve atravessar exposições, encontros e ações do espaço ao longo do ano.

    “Desejamos um lugar onde a arte não seja colocada em um pedestal, mas que as pessoas se sintam à vontade para entrar e participar”, afirma Julieta Lopresto. Ao lado de Cristina De Middel e Bruno Morais, ela está à frente do Pé de Cobra, iniciativa que propõe um ambiente acessível, onde o processo criativo permanece aberto e em constante diálogo com a comunidade.