O coletivo de escritoras negras de Amélia Rodrigues, ‘Vozes Escreviventes’, lança, no próximo sábado (18), durante a Bienal do Livro da Bahia, a obra Vozes Escreviventes: quando a vida escreve a palavra. A antologia reúne textos de 23 mulheres negras e marca um importante momento de visibilidade e afirmação literária para o município.
O livro é composto por contos, poemas, artigos, crônicas e relatos que refletem vivências, memórias e experiências compartilhadas. A organização é da escritora Gilmara Belmon, que destaca o propósito coletivo da obra.
“A organização da antologia partiu do desejo de aquilombar mulheres que escrevem, pesquisam e produzem, mas que ainda precisam ser vistas”, afirmou.
Segundo Gilmara, a obra carrega um forte potencial transformador. “Esse livro vai ser uma revolução, porque ele traz as nossas escrevivências, partilhas e textos que partem da observação das vivências de outras mulheres negras. São textos que, além das dores, também revelam força e potência”, completou.
A escritora e professora Simone Silva, que também participou da organização da antologia, destaca o caráter político e identitário da publicação.
“A vida da mulher negra, por si só, já é uma escrita.Quando iniciamos nossas reuniões, percebemos que nossas histórias se entrelaçam, tanto profissionalmente quanto em nossos processos acadêmicos. Sentimos a necessidade de contar nossas histórias para empoderar outras mulheres e meninas que ainda estão se descobrindo enquanto mulheres negras”, pontuou.
Ela destacou ainda que o processo de construção do livro foi marcado por identificação e pertencimento entre as autoras. Para Simone, o livro tem como missão provocar reflexão e ampliar a compreensão sobre a experiência de ser mulher negra na sociedade. “É sobre mostrar o quanto ainda precisamos lutar por nossos direitos e por espaços de escuta”, declarou.
Durante o processo de criação da antologia, muitas das participantes também se reconheceram como escritoras pela primeira vez, fortalecendo suas vozes e identidades através da escrita.
Uma dessas mulheres é a pedagoga Avanice Braga. Para ela, a experiência foi transformadora. “Eu não me via como escritora, mas esse processo me fez reconhecer a força da minha própria história. Hoje entendo que minha vivência também é literatura e pode inspirar e transformar a vida de outras pessoas, sobretudo mulheres negras”, disse.
SERVIÇO
O quê: Lançamento da antologia Vozes Escreviventes: quando a vida escreve a palavra
Onde: Bienal do Livro Bahia – Centro de Convenções de Salvador | Asa A – Stand 14
Quando: 18 de abril, das 10h às 13h

