O cantor Danniel Vieira comentou a polêmica envolvendo o forrozeiro Flávio José e o Ministério Público da Bahia em torno da fiscalização dos cachês pagos com recursos públicos durante os festejos juninos. Para o artista, tanto o órgão fiscalizador quanto o cantor paraibano possuem argumentos legítimos na discussão.
Em entrevista concedida ao Portal Esfera no Rádio desta quarta-feira (10), Danniel afirmou que entende a atuação do Ministério Público ao buscar justificativas para reajustes nos valores contratados pelas prefeituras, mas também reconhece o desconforto de artistas consagrados ao terem que comprovar sua relevância no mercado.
“Quem não deve não teme. O Ministério Público está tentando entender. Ele está fazendo a parte dele. Mas também entendo o lado de Flávio José, que tem uma vida inteira representando o forró e a cultura nordestina”, declarou.
O debate ganhou força após Flávio José deixar de integrar a programação do São João da Bahia em meio à controvérsia sobre a necessidade de apresentar justificativas para o aumento do valor do seu cachê em relação ao ano anterior.
Aumento de custos entra na discussão
Ao analisar o tema, Danniel destacou que o crescimento dos cachês não pode ser observado apenas de forma matemática, sem levar em consideração fatores econômicos e mercadológicos que impactam diretamente a realização dos shows.
Segundo ele, despesas ligadas à logística das apresentações registraram aumentos significativos nos últimos meses.
“Você abasteceu o carro recentemente e viu que aumentou. O diesel aumentou, a hospedagem aumentou, tudo aumentou. No ano passado eu pagava R$ 9 por quilômetro de ônibus, hoje pago R$ 12. Isso representa mais de 30% de aumento”, afirmou.
O cantor também lembrou que a valorização de um artista envolve indicadores que vão além da inflação, como crescimento de público, alcance nas redes sociais e desempenho nas plataformas digitais.
“Não é só uma conta de dois mais dois. Tem notoriedade, crescimento de carreira, plataformas digitais. São muitos fatores que precisam ser considerados”, avaliou.
Fiscalização e transparência
Apesar das críticas feitas por alguns artistas à atuação dos órgãos de controle, Danniel afirmou não enxergar problemas na fiscalização quando há utilização de dinheiro público.
Na avaliação dele, a transparência é um caminho natural para quem trabalha com contratos custeados por recursos dos municípios e estados.
“Se é dinheiro público, a transparência tem que existir. Acho que os artistas que estão trabalhando corretamente não estão tendo grandes dificuldades para apresentar essas informações”, disse.
Mesmo defendendo o direito dos órgãos de controle de questionarem os valores pagos, o cantor ponderou que a situação pode gerar desconforto para artistas com décadas de trajetória.
“É difícil para alguém que passou a vida inteira construindo uma carreira ter que ficar comprovando sua autoridade e representatividade. Eu entendo esse sentimento também”, afirmou.
Danniel evitou tomar partido na disputa e disse acreditar que o melhor caminho é o diálogo entre artistas, empresários e órgãos fiscalizadores para que as análises sejam feitas de forma equilibrada.
“Eu não estou aqui para julgar ninguém. Nem o Ministério Público, nem Flávio José. Acho que os dois lados têm seus argumentos e precisam ser ouvidos”, concluiu.

