Anitta critica algoritmos, extremismo e aposta em autoconhecimento

    Em coletiva, cantora falou sobre política, redes sociais, turnê, BETs e o propósito de EQUILIBRIVM II

    Foto: André Nicolau / Divulgação

    A cantora Anitta afirmou que deseja transformar EQUILIBRIVM II em um convite ao autoconhecimento, à valorização da diversidade religiosa e ao pensamento crítico. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (24), durante coletiva de imprensa para apresentar o novo álbum.

    Ao longo da conversa com jornalistas, a artista abordou temas que ultrapassam a música, como algoritmos das redes sociais, extremismo político, inteligência artificial, preconceito, mercado do entretenimento e até os impactos das apostas esportivas (BETs) no setor de eventos.

    Segundo Anitta, seu maior objetivo com o projeto é despertar reflexões no público. “O sonho que eu tenho para esse álbum é que as pessoas se interessem em se conhecer, e que vire moda ser profundo. Que a gente abrace e respeite a religião de todo mundo”, afirmou.

    A cantora também explicou que escreveu sozinha a faixa “Respira”, considerada uma das mais pessoais do disco, e destacou que pretende divulgar posteriormente o roteiro completo dos visuais do projeto, incluindo as frases e mensagens utilizadas na narrativa audiovisual.

    Anitta critica algoritmos e alerta para momento político

    Durante a coletiva, Anitta demonstrou preocupação com o cenário político e o funcionamento das plataformas digitais. Para ela, os algoritmos contribuem para ampliar a polarização ao oferecer sempre conteúdos semelhantes aos usuários.

    “Estamos entrando num momento político muito perigoso por conta do algoritmo”, declarou.

    A artista defendeu que as pessoas utilizem a internet e a inteligência artificial como ferramentas para buscar dados e construir pensamento próprio, em vez de apenas consumir conteúdos sugeridos pelas plataformas.

    “Eu não quero que todo mundo pense igual a mim”, ressaltou.

    Na avaliação da cantora, discursos de extremismo e conservadorismo acabam recebendo mais visibilidade justamente porque geram maior engajamento nas redes sociais.

    Ela também comentou situações envolvendo violações de direitos humanos, citando o Afeganistão e o regime do Talibã, além de defender o enfrentamento às falas preconceituosas e à impunidade para crimes cometidos no ambiente digital.

    “É para continuar criticando falas preconceituosas e problemáticas e não normalizar”, afirmou.

    Turnê, BETs e valorização da moda brasileira

    Questionada sobre uma nova turnê, Anitta disse que ainda não pretende anunciar novas datas antes de entender o desempenho da primeira etapa de apresentações do projeto.

    Segundo a cantora, o mercado do entretenimento vive um período delicado no Brasil e atribuiu parte desse cenário ao crescimento do vício em BETs, que, segundo ela, afeta diretamente o consumo de shows e eventos.

    Outro ponto destacado foi a escolha por utilizar estilistas brasileiros na construção visual de EQUILIBRIVM II. A artista revelou que espera despertar a curiosidade do público para conhecer o trabalho desses profissionais.

    “Usei looks lindíssimos de vários estilistas brasileiros e torço para que as pessoas pesquisem sobre eles”, comentou.

    Anitta também refletiu sobre a própria trajetória e afirmou que, no início da carreira, tinha o desejo de ser sempre a primeira em tudo. Hoje, porém, considera mais importante abrir caminhos para outras pessoas.

    “Eu tinha fome de ser a única, a primeira a fazer tudo. Hoje, o mais importante é abrir um precedente para que outras pessoas continuem.”

    Ao encerrar a coletiva, a cantora fez um apelo para que o público abandone as disputas entre artistas.

    “As pessoas têm uma necessidade muito grande de comparar coisas. Pense como algo novo, não pense com uma comparação. Comparar artistas é coisa de gente pobre de espírito”, concluiu.