Novas mudanças na Previdência devem começar por militares, sugere presidente do TCU

    Bruno Dantas alerta para desproporção: déficit per capita de fardados é R$ 159 mil, o dos servidores civis, R$ 69 mil, enquanto o do INSS é R$ 9,4 mil

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Bruno Dantas, sugeriu em entrevista à Folha de S. Paulo que novas mudanças nas regras da Previdência devem começar pelos militares. Segundo ele, há uma desproporção entre os déficits das contas previdenciárias dos trabalhadores comuns em relação aos dos fardados.

    Enquanto o déficit per capita (por beneficiário) do setor privado, no INSS, é de R$ 9,4 mil e o dos servidores civis chega a R$ 69 mil, nas contas dos militares o valor é muito superior. Alcança R$ 159 mil.

    “O que me cabe como auditor das contas do Brasil é mostrar esses números. É óbvio que há uma desproporção aqui e que algo precisa ser pelo menos pensado”, diz o ministro.

    Dantas afirma que a decisão por onde iniciar as mudanças é “de governo”. Mas ressalta que tais alterações talvez possam começar pela Previdência dos militares. “No governo passado, foi feita uma reforma da Previdência para o servidor civil, para o RGPS (Regime Geral de Previdência Social), e não foi feita para os militares”, justifica.

    Em sua avaliação, a situação das contas públicas no Brasil não é confortável, mas também não é explosiva. Ele diz acreditar que o governo alcançará a meta de déficit zero.

    “A única coisa que nós, e isso não é uma ameaça, não aceitamos é que o governo passe o ano inteiro gastando como se a meta fosse X e no final do ano mude a meta para Y, para fazer uma conta de chegar de trás para frente e justificar o gasto que foi feito”, diz.